A IA virou o jogo: agora são os executivos que precisam provar produtividade

Estudo sugere mudança de mentalidade no topo das empresas: líderes começam a perceber que a automação ameaça não apenas funções operacionais, mas também atividades estratégicas

Marcelo Monteiro

expansão da inteligência artificial está levando líderes e executivos a reavaliar o próprio papel dentro das organizações (Foto: Inteligência Artificial)
expansão da inteligência artificial está levando líderes e executivos a reavaliar o próprio papel dentro das organizações (Foto: Inteligência Artificial)

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Durante décadas, a transformação tecnológica foi vista principalmente como um desafio para funções operacionais e atividades repetitivas.

Agora, a inteligência artificial provoca uma mudança mais profunda: executivos e gestores de alto escalão passaram a perceber que a automação também pode alcançar atividades tradicionalmente associadas à liderança, à análise e à tomada de decisões.

Essa é uma das principais conclusões do estudo Diretrizes para Adoção Ética e Estratégica de IA no Trabalho Corporativo, desenvolvido pela consultoria Inesplorato em parceria com empresas especializadas em comportamento, cultura e tecnologia.

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Segundo a Inesplorato, a expansão da inteligência artificial está levando líderes e executivos a reavaliar o próprio papel dentro das organizações.

Atividades antes associadas à gestão, à análise e à tomada de decisão passaram a ser parcialmente apoiadas por sistemas inteligentes, ampliando o alcance da transformação tecnológica também sobre os cargos de liderança.

A mudança representa uma inflexão importante no debate sobre automação.

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Se, no passado, as preocupações estavam concentradas em tarefas operacionais, agora a discussão passa a incluir funções ligadas à estratégia, à coordenação de equipes e à produção de conhecimento — áreas historicamente vistas como menos suscetíveis à substituição tecnológica.

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A automação chegou ao trabalho intelectual

O estudo destaca que 74% dos brasileiros afirmam que a inteligência artificial ampliou sua capacidade de trabalho.

Ao mesmo tempo, a tecnologia começa a automatizar atividades que antes eram consideradas exclusivas de profissionais altamente qualificados, como análises, elaboração de estratégias, interpretação de dados e apoio à tomada de decisões.

Segundo a pesquisa, esse movimento faz com que executivos passem a perceber que também estão inseridos nas transformações provocadas pela automação e pelas novas exigências de produtividade que vêm remodelando o mercado de trabalho.

A discussão ganha ainda mais relevância quando observada em conjunto com outro levantamento recente da Afferolab e da Tera.

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O estudo, realizado com 4,3 mil profissionais, revelou que 25% dos diretores e executivos C-Level brasileiros deixaram de delegar tarefas nos últimos 30 dias porque acreditavam que conseguiriam executá-las mais rapidamente utilizando IA.

Para especialistas, esse comportamento sugere que muitos líderes ainda utilizam a tecnologia para aumentar a produtividade individual, em vez de redesenhar processos e transformar a forma de trabalho das equipes.

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O que passa a diferenciar os humanos

A análise da Inesplorato argumenta que competências tradicionalmente valorizadas no ambiente corporativo — como organização extrema, precisão técnica e capacidade analítica — estão se tornando mais facilmente reproduzíveis por algoritmos.

Nesse cenário, habilidades ligadas ao julgamento ético, sensibilidade social, criatividade e pensamento crítico ganham relevância.

A consultoria sustenta que a eficiência futura não dependerá de transformar pessoas em máquinas mais produtivas, mas de usar a tecnologia para libertar profissionais das tarefas mecânicas e ampliar sua capacidade de reflexão e criação.

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A tese dialoga com outros estudos recentes sobre mercado de trabalho.

A Michael Page identificou que as habilidades mais difíceis de encontrar hoje são comunicação (49%), adaptabilidade (48%) e habilidades interpessoais (45%).

Ou seja: justamente os atributos mais humanos.

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Uma mudança que chega ao topo

O debate representa uma inflexão importante na forma como a inteligência artificial costuma ser abordada.

Durante anos, a pergunta predominante foi quais empregos seriam substituídos pela tecnologia.

Agora surge uma questão diferente: como será o papel da liderança quando parte significativa do trabalho intelectual puder ser executada por sistemas inteligentes?

A resposta ainda está em construção. Mas uma conclusão parece ganhar força.

Pela primeira vez, muitos executivos começam a perceber que a inteligência artificial não está apenas transformando o trabalho das equipes.

Ela também está redefinindo o significado de liderar.

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