Luiza Trajano defende união de forças por sustentabilidade e protagonismo social

Durante GAFFFF, a empresária destacou desafios e avanços do setor privado no ESG e defendeu o agro como aliado nessas causas

Janize Colaço

Com moderação da executiva Sylvia Brasil Coutinho, Luiza Helena Trajano, presidente do Magazine Luiza, falou sobre "ESG Nos Novos Tempos" no segundo e último dia de GAFFFF (Foto: InfoMoney)
Com moderação da executiva Sylvia Brasil Coutinho, Luiza Helena Trajano, presidente do Magazine Luiza, falou sobre "ESG Nos Novos Tempos" no segundo e último dia de GAFFFF (Foto: InfoMoney)

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A necessidade de conciliar progresso econômico com responsabilidade social e ambiental ganhou espaço no Global Agribusiness Festival (GAFFFF), realizado em São Paulo nesta sexta-feira (6). Com moderação da executiva Sylvia Brasil Coutinho, o debate contou com a presença de Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza (MGLU3) e fundadora do Grupo Mulheres do Brasil.

“Aprendi com a terra que é preciso ter paciência. Às vezes chove demais, às vezes não chove. A gente tem que ser resistente”, disse Luiza, traçando paralelos entre o aprendizado rural e os desafios da liderança empresarial em um Brasil marcado por desigualdades. Para ela, o movimento ESG nas empresas brasileiras evoluiu, mas ainda enfrenta entraves culturais e estruturais. 

“Em 2011, quando fizemos o IPO do Magalu, falávamos de pessoas, governança e mulheres na liderança . As pessoas escutavam, mas não davam valor. Hoje, os investidores querem saber se há diversidade no conselho e políticas claras de inclusão. Houve avanço, sim. Mas podemos mais”, afirmou.

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Perguntada pelo InfoMoney como enxerga movimentos das empresas de tecnologia americanas, que estão abandonando políticas de equidade e diversidade, a empresária disse não observar a mesma tendência por aqui. 

Segundo ela, em sua percepção, as companhias – principalmente de capital aberto – continuam comprometidas com o tema. “A Magazine Luiza não regridirá em nada, pelo contrário. Inclusive, a bolsa de valores continua me perguntando se mantemos as nossas políticas”, brincou.

Sustentabilidade e inclusão como prática cotidiana

A executiva relatou que o Magazine Luiza adotou princípios de ESG mesmo antes de o termo se popularizar, no Brasil e no mundo. “Quando lançamos o programa de trainee para negros, fomos duramente criticados. Mas sabíamos da importância de abrir portas. Eles chegaram preparados, só aumentamos o limite de idade. Hoje, muitos seguiram carreira em outras empresas. A inclusão é transformadora.”

Para ela, liderar com propósito não significa abrir mão do lucro. “O cliente está no centro. Se a equipe não se sente dona da empresa, não entrega o melhor. Faturamento e propósito caminham juntos”, disse.

Ao InfoMoney, a empresária destacou que um dos focos atuais da companhia é a redução das emissões de carbono, que, segundo ela, é uma área que a Magazine Luiza tem procurado evoluir há pelo menos quatro anos. “Somos os maiores vendedores de eletroeletrônicos do Brasil. Nós temos que ser os maiores coletores — e estamos fazendo um trabalho muito grande nesse sentido.”

Agro e meio ambiente

Apesar de críticas à presença do agronegócio nas discussões ambientais, Luiza defendeu que o setor precisa ser reconhecido como parte da solução. 

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“Parece que são inimigos, mas temos que unir sustentabilidade e progresso. O Brasil tem ativos ambientais únicos e já somos referência em algumas tecnologias, como a bancária. Podemos ser também em relação às práticas ESG.”

Sobre a realização da COP30 em Belém, ela lembrou que a escolha foi alvo de críticas. “Mas é essencial que o mundo veja de perto que não estamos destruindo a Amazônia. É uma chance para mostrar o que estamos fazendo de certo”, afirma. 

Encerrando sua participação no GAFFFF, Luiza reforçou sua crença no poder de mobilização das mulheres e na importância de políticas públicas. “Temos 132 mil mulheres no Grupo Mulheres do Brasil, atuando em diversas frentes. O agro é um dos comitês mais ativos. Precisamos juntar nossos barcos. Cada um no seu, mas todos na mesma direção.”