Juiz libera demissões na Meta em caso inédito sobre uso de IA

Ação questiona suposto viés contra funcionários em licença médica ou com deficiência

Reuters

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O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, experimenta óculos de realidade aumentada Orion durante o evento anual Meta Connect na sede da empresa em Menlo Park, Califórnia, EUA, em 25 de setembro de 2024. REUTERS/Manuel Orbegozo/Foto de Arquivo.
O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, experimenta óculos de realidade aumentada Orion durante o evento anual Meta Connect na sede da empresa em Menlo Park, Califórnia, EUA, em 25 de setembro de 2024. REUTERS/Manuel Orbegozo/Foto de Arquivo.

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17 Jul (Reuters) – Um juiz dos Estados Unidos rejeitou nesta sexta-feira um pedido ⁠de 26 funcionários da Meta (M1TA34) para impedir que a gigante da tecnologia os demitisse, enquanto eles buscam ⁠reparação alegando que foram alvo de cortes de pessoal pelas ferramentas de inteligência artificial da empresa por terem deficiências ou tirado ‌licença médica.

O juiz distrital William Orrick, de Oakland, Califórnia, afirmou em uma ordem escrita que não impediria a Meta de realizar as demissões em massa a partir de 22 de julho, enquanto o mérito das alegações jurídicas inéditas dos trabalhadores é decidido em arbitragem privada.

O juiz ‌afirmou que os trabalhadores não conseguiram demonstrar que a perda de seus empregos constituía o ‘dano irreparável’ necessário para que ele emitisse uma ordem de emergência impedindo as demissões em massa.

Leia também: Ação judicial diz que Meta usou IA para demitir trabalhadores com problema de saúde

A Meta e os advogados dos demandantes não responderam imediatamente aos pedidos de comentários. A empresa negou qualquer irregularidade e afirmou que as decisões relativas às demissões em massa foram tomadas por humanos. Em maio, a meta notificou quase 8.000 funcionários, cerca de 10% de sua força de trabalho global, de que perderiam seus empregos, enquanto a empresa intensifica seus investimentos em inteligência artificial.

O processo judicial, ⁠aberto na ‌segunda-feira, alega que, na seleção dos cargos a serem cortados, a Meta utilizou ferramentas de IA que mediam a produtividade e o uso ⁠de tokens de IA, prejudicando pessoas que se ausentaram do trabalho por motivos de saúde ou para cuidar de familiares. Os demandantes também afirmaram que a empresa baseou suas avaliações de desempenho, em parte, na adoção de IA pelos funcionários.

Ao que tudo indica, este é o primeiro caso contra uma grande empresa norte-americana a contestar o alegado uso de inteligência artificial na realização de demissões em massa.

‘SEM SEGUNDA CHANCE’

Os demandantes solicitaram a Orrick uma liminar para impedir que a Meta concluísse as demissões em massa enquanto ​eles buscam resolver suas reivindicações em arbitragem privada. O pedido de tutela antecipada, uma medida cautelar de maior duração, está pendente e Orrick afirmou, durante a audiência de quinta-feira, que provavelmente se pronunciará sobre o assunto no próximo mês. Os advogados dos demandantes ​alegaram, também durante a audiência de quinta-feira, que, além dos empregos e salários, os trabalhadores corriam o risco de perder valiosas opções de ações e seus planos de saúde, comprometendo seu atendimento médico em caso de gravidez e outras condições.

‘Não há como voltar atrás na criação de laços com um recém-nascido, no parto ou em tratamentos médicos ativos’, disse uma das advogadas, Barbara Cowan, a Orrick.

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Erin Connell, representante da Meta, argumentou que os trabalhadores estavam perdendo apenas o seguro subsidiado pelo empregador, e não a cobertura total. Segundo Connell, esses são ‌os tipos típicos de danos que podem ser recuperados posteriormente, caso os demandantes vençam seus processos ​de arbitragem.

Os trabalhadores afirmam que os acordos da Meta exigem que os funcionários resolvam individualmente as disputas no local de trabalho por meio de arbitragem, mas não se aplicam a pedidos de medidas cautelares.

A maioria dos trabalhadores de grandes empresas assina contratos de arbitragem, que geralmente exigem que os funcionários apresentem suas queixas trabalhistas individualmente, ⁠em vez de recorrerem a ações coletivas nos tribunais. ​As empresas afirmam que a arbitragem ​pode ser uma alternativa mais rápida e barata do que o litígio judicial, enquanto os críticos argumentam que ela frequentemente favorece os empregadores e desencoraja os trabalhadores a apresentarem ⁠suas queixas.

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Exceções em acordos de arbitragem para medidas cautelares são comuns, mas normalmente ​são invocadas em casos envolvendo o suposto roubo de segredos comerciais ou a solicitação de clientes ou funcionários, e não em demissões em massa de funcionários contratados sem vínculo empregatício.

Os demandantes, que entraram com a ação judicial anonimamente, incluem engenheiros, gerentes, pesquisadores e designers. Eles foram notificados em maio sobre as ​demissões em massa, que devem ser finalizadas em 22 de julho para muitos trabalhadores e posteriormente em julho ou agosto para outros, de acordo com os autos do processo.

Os funcionários demitidos permanecem na folha de pagamento, mas perderam o ​acesso aos sistemas da Meta em 20 ⁠de maio e não trabalharam para a empresa desde então, afirmou a Meta em documentos judiciais.

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Eles alegam que a Meta usou diversos sistemas internos com auxílio de IA para pontuar e ⁠classificar funcionários em uma lista de demissão. Esses sistemas incluíam um assistente de modelo de linguagem complexo conhecido como ‘Metamate’, um ‘segundo cérebro’ treinado pelos funcionários que monitorava suas comunicações e documentos, e uma pontuação de produtividade obtida a partir da análise de digitação, conteúdo da tela, emails e histórico do navegador, de acordo com o processo.

A Meta não suspendeu esses sistemas enquanto os funcionários estavam de férias e em períodos de licença legalmente protegidos, e, como resultado, seus índices de adoção de IA, usados como insumos para a seleção de demissões em massa, caíram, disseram os autores da ação.

(Por Daniel ​Wiessner)

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