Como diretor salvou 900 alunos antes de escola ser levada pela enchente no Nepal

Rajendra Dawadi teve menos de 15 minutos para agir após receber o alerta sobre a aproximação das águas da enchente. Seu rápido plano de evacuação salvou centenas de vidas

Imóveis danificados às margens do rio Trishuli, onde ficava a Tribhuvan Trishuli Secondary School, antes de ser destruída por inundações repentinas e deslizamentos de terra mortais, em Nuwakot, Nepal, em 31 de agosto de 2026. Foto tirada com um celular. REUTERS/Sunil Kataria
Imóveis danificados às margens do rio Trishuli, onde ficava a Tribhuvan Trishuli Secondary School, antes de ser destruída por inundações repentinas e deslizamentos de terra mortais, em Nuwakot, Nepal, em 31 de agosto de 2026. Foto tirada com um celular. REUTERS/Sunil Kataria

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KATMANDU, Nepal — A manhã de quarta-feira parecia ser como qualquer outra para Rajendra Dawadi, diretor de uma escola no Nepal.

“Tudo estava transcorrendo normalmente”, disse ele.

Isso mudou por volta das 9h10, quando Dawadi dava aula na Tribhuvan Trishuli School, em Nuwakot, distrito localizado ao norte de Katmandu, capital do país. Um funcionário entrou correndo na sala, gritando que uma grande inundação estava a caminho.

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A notícia começou a se espalhar à medida que parentes que viviam rio acima enviavam alertas a qualquer pessoa que estivesse no caminho das águas, que se aproximavam rapidamente.

Dawadi teve de tomar algumas decisões rápidas.

Ele orientou todas as crianças que estavam presentes — cerca de 900 dos 1.643 alunos da escola — a correr para áreas mais altas. Apenas estudantes mais velhos, de 11 a 18 anos, estavam na escola quando as enchentes atingiram a região, o que ajudou na rápida evacuação, segundo Dawadi. (Os alunos mais novos só começariam as aulas às 10h.)

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“Eles tinham idade suficiente para correr imediatamente”, disse ele em entrevista por telefone na segunda-feira. “Não teria sido possível salvar todos se os alunos do jardim de infância e do ensino fundamental também estivessem lá.”

Os alunos que haviam chegado mais cedo à escola de ônibus foram orientados a voltar para os veículos, e Dawadi instruiu os motoristas a deixar a área o mais rápido possível.

“Alguns alunos ficaram traumatizados e desmaiaram”, disse Dawadi, acrescentando que essas crianças foram levadas para um local seguro nas motocicletas dos professores.

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“Pensei que, mesmo que o alerta se mostrasse equivocado, o pior que poderia nos custar seria um dia de estudos”, disse Dawadi. “Mas levar aquilo na brincadeira poderia significar a perda de centenas de vidas.”

Seu rápido plano de evacuação salvou essas vidas.

Às 9h23, cerca de 13 minutos depois de Dawadi receber o primeiro alerta, uma enxurrada de água, lama e detritos atingiu a região. A escola foi destruída em questão de segundos, e pelo menos um professor continuava desaparecido até segunda-feira, segundo Dawadi.

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Pelo menos 4.200 pessoas estavam desaparecidas no Nepal até segunda-feira, menos de uma semana depois de uma torrente de água atravessar os vales dos rios do Himalaia, arrastando prédios, casas, estradas e outras infraestruturas.

Apenas uma fração das milhares de pessoas desaparecidas havia sido identificada entre os mortos, e autoridades disseram esperar que o número de vítimas aumentasse. Até então, o desastre havia matado quase 1.000 pessoas no Nepal, segundo as autoridades.

A fuga dos estudantes foi uma exceção em meio aos relatos de desaparecidos e mortos e à destruição provocada pelas enchentes. Em Bharatpur, cidade a sudoeste da escola, centenas de corpos haviam sido levados pelas águas rio abaixo. Os necrotérios locais haviam recebido muito mais corpos do que eram capazes de acomodar.

Durante o fim de semana, equipes de resgate tiveram dificuldades para retirar trabalhadores presos em túneis de usinas hidrelétricas. O Exército do Nepal informou que seus drones equipados com sensores térmicos não haviam detectado sinais de vida.

As enchentes também destruíram quilômetros de estradas e interromperam as comunicações. Imagens e vídeos mostraram um rio tomado por detritos destruindo pontes e deixando cidades parcialmente soterradas pela lama.

“Fico extremamente emocionado ao ver a escola completamente levada pela água”, disse Dawadi, que estudou ali antes de se tornar diretor anos mais tarde. “A escola guarda tantas lembranças para mim.”

O prédio havia sido construído ao longo de muitos anos, contou. Agora, tudo o que restava eram dois ônibus escolares.

“Salvamos vidas, mas agora não há lugar para ensinar os alunos”, disse Dawadi. “Já estou preocupado com como poderemos retomar as aulas e o processo de aprendizagem.”