Ameaça dos Houthis aumenta temores de uma guerra mais ampla

O anúncio dos houthis de que o grupo pretende atacar o transporte marítimo saudita ameaça aumentar a turbulência nos mercados de petróleo, que continuam em níveis bem mais altos do que antes da guerra

Aaron Boxerman Ismaeel Naar Sanam Mahoozi The New York Times

Um integrante da força de segurança houthi opera uma metralhadora montada na traseira de uma caminhonete de patrulha, em Sanaa, Iêmen – 17/07/2026 (Foto: REUTERS/Khaled Abdullah)
Um integrante da força de segurança houthi opera uma metralhadora montada na traseira de uma caminhonete de patrulha, em Sanaa, Iêmen – 17/07/2026 (Foto: REUTERS/Khaled Abdullah)

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Os Estados Unidos e o Irã continuaram com seus ataques diários, enquanto a região observava com ansiedade, nesta terça-feira, como os houthis — militantes apoiados pelo Irã no Iêmen — tentariam impor o bloqueio anunciado contra navios sauditas.

Havia poucos sinais concretos do que exatamente a ação dos houthis poderia envolver, mas a ameaça feita pela milícia na segunda-feira aumentou os temores de uma guerra regional prolongada e de mais turbulência nos mercados globais de energia.

Leia também: Houthis anunciam bloqueio marítimo contra Arábia Saudita e ameaçam ampliar escalada

Pela décima noite consecutiva, forças americanas atingiram alvos no Irã, incluindo centros de comando militar e locais de lançamento de mísseis e drones, informou o Comando Central dos EUA no início da terça-feira, no horário local. O Irã anunciou na terça-feira que havia lançado novos ataques contra Kuwait, Bahrein e Jordânia, países da região que abrigam bases militares americanas.

O governo do Kuwait acusou o Irã de novamente atacar a infraestrutura crítica do país ao atingir usinas de energia e plantas de dessalinização de água. Segundo o Ministério da Energia do Kuwait, os ataques iranianos de segunda-feira provocaram incêndios e levaram as autoridades a suspender as operações em várias instalações.

Negociações

A alta dos preços globais do petróleo diminuiu ligeiramente nesta semana depois que o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou, na segunda-feira, que mediadores haviam apresentado propostas para restabelecer a trégua com os Estados Unidos. Na terça-feira, o ministro do Interior do Irã se reuniu com o primeiro-ministro do Paquistão em Islamabad e com o chefe do Exército do país, marechal de campo Asim Munir. O Paquistão tem atuado como mediador nas negociações entre Estados Unidos e Irã.

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O anúncio dos houthis de que o grupo pretende atacar o transporte marítimo saudita ameaça aumentar a turbulência nos mercados de petróleo, que continuam em níveis bem mais altos do que antes da guerra. O grupo não divulgou detalhes de seu bloqueio, mas controla a parte do Iêmen que margeia o Estreito de Bab el-Mandeb, a porta de entrada sul do Mar Vermelho.

Enquanto Irã e Estados Unidos disputam o controle do Estreito de Ormuz, por onde passava um quinto do petróleo mundial antes da guerra, a Arábia Saudita vinha redirecionando parte de suas exportações pelo Mar Vermelho. A ameaça dos houthis de bloquear ali os embarques de petróleo saudita ameaça agravar a crise global de combustíveis e abrir uma nova frente no conflito do Oriente Médio.

Pelo menos 50 pessoas foram mortas no Irã desde que o cessar-fogo entrou em colapso neste mês, segundo as autoridades iranianas, e ao menos três soldados americanos morreram nos últimos dias.

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