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Com apoio da maioria, Americanas debate plano de recuperação judicial nesta terça

Onze meses após crise que escancarou R$ 42,5 bilhões de dívidas, varejista selou acordo preliminar com representantes de mais 50% de seu endividamento

Rikardy Tooge

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A Americanas (AMER3) deve definir na tarde desta terça-feira (19) o destino da quarta maior recuperação judicial do país.

Onze meses após o anúncio de inconsistências contábeis, que revelaram um rombo de R$ 42,5 bilhões, a varejista encaminhou um acordo preliminar com bancos e fundos que representam mais de 60% de seu endividamento total – valor que desconsidera dívidas entre empresas do mesmo grupo econômico (“intercompany”) –, indicando que o plano de reestruturação tem maioria para ser aprovado na assembleia geral de credores (AGC) prevista para 14h.

No entanto, para que o plano de RJ seja avalizado, a AGC precisa contar com mais da metade dos créditos de cada classe (trabalhista, detentores de garantias reais, sem garantias (quirografários) e pequenas e microempresas), computados pelo valor total da dívida. Caso a assembleia não registre esse quórum mínimo, haverá uma segunda convocação no dia 22 de janeiro.

Independentemente da data da votação, fato é que a Americanas já possui acordo para suas principais dívidas. Os cinco maiores credores da varejista – Bradesco, Santander, BTG Pactual, Itaú e Safra, que possuem cerca de R$ 16,5 bilhões a receber da varejista – assinam o documento. Banco do Brasil, Caixa, Banco Votorantim, ABC Brasil e fundos administrados pelo BTG e Itaú também são algumas das instituições que aderiram ao plano de apoio à reestruturação (PSA, na sigla em inglês).

No desdobramentos de quase um ano de crise, Bradesco, Santander, BTG e Safra foram à Justiça contra a recuperação judicial da varejista, expondo uma série de críticas a Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, bilionários acionistas de referência da Americanas, mas, no fim das contas, aceitaram participar do acordo de salvação da companhia.

No PSA, ficou acertado um aporte de R$ 24 bilhões, sendo que o trio de acionistas irá colocar R$ 12 bilhões no caixa da companhia – cerca de R$ 1,5 bilhão já está nos cofres da companhia por meio de um financiamento DIP (“Debtor in Possession”, em inglês, linha para empresas em RJ) antes do acordo –, enquanto os bancos vão converter R$ 12 bilhões de crédito em ações da Americanas.

Caso a proposta seja aceita por mais de 50% dos credores nesta terça-feira, os bilionários vão colocar imediatamente R$ 3,5 bilhões por meio de uma debênture com vencimento em dois ano. Além disso, há acordo para a eleição de um novo conselho de administração da Americanas até 10 dias após a homologação do acordo. O board seguirá composto por sete membros e terá mandato de dois anos.

No PSA, a Americanas também reforçou a intenção de promover as vendas da Hortifruti Natural da Terra (HNT) e da Uni.co. Os recursos levantados com as alienações serão destinados para o pagamento antecipado de dívidas (o chamado “cash sweep”) e, caso a cifra ultrapasse R$ 1 bilhão, o restante será aplicado para financiar as operações da companhia.

O documento diz ainda que outras Unidades Produtivas Isoladas (UPIs) não-listadas inicialmente, como a operação de lojas físicas e e-commerce, poderão vir a ser negociadas.

Já para dívidas trabalhistas e de micro e pequenos empreendedores, a Americanas se compromete a fazer o pagamento integral do crédito. Para outras classes, também receberão a dívida completa credores com até R$ 12 mil a receber. Quem tiver valor maior que R$ 12 mil receberá uma oferta de R$ 12 mil, renunciando ao valor excedente a receber.

Por fim, serão destinados até R$ 8,7 bilhões para pagamento de seus credores financeiros, por meio de um leilão reverso com funding de até R$ 2 bilhões e o pagamento antecipado com desconto de R$ 6,7 bilhões em recursos. A previsão é que, ao final do processo de recuperação judicial, a Americana esteja com uma dívida bruta de R$ 1,87 bilhão.

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Rikardy Tooge

Repórter de Negócios do InfoMoney, já passou por g1, Valor Econômico e Exame. Jornalista com pós-graduação em Ciência Política (FESPSP) e extensão em Economia (FAAP). Para sugestões e dicas: rikardy.tooge@infomoney.com.br