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Até os bancos quebram: os casos que abalaram o sistema financeiro brasileiro

O Brasil já testemunhou falências bancárias que abalaram a confiança dos investidores e exigiram respostas do Banco Central

Maria Luiza Dourado

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A falência de um banco não é apenas um evento contábil. Assim como ocorreu com o Banco Master, cuja liquidação foi anunciada pelo Banco Central nesta terça-feira, 18 de novembro, o evento pode representar também um abalo na confiança pública, uma ameaça à estabilidade financeira e, muitas vezes, um reflexo de falhas de gestão profundas. 

Ao longo das últimas décadas, o Brasil acumulou uma série de episódios emblemáticos de colapso bancário, que moldaram a atuação do Banco Central e motivaram a criação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). 

O mais famoso 

O colapso do Banco Nacional é o episódio mais marcante da história recente. Fundado nos anos 1940, a instituição chegou a ser um dos maiores bancos privados do país, patrocinou o piloto Ayrton Senna e marcava presença no futebol brasileiro.  

Contudo, o Banco Nacional entrou em colapso em 1995 após a descoberta de 652 contas fictícias e um rombo estimado em R$ 8 bilhões – escancarando a profundidade das fraudes contábeis que podem ocorrer em instituições de grande porte.  

O impacto econômico e simbólico foi tamanho que mudou para sempre a regulação bancária no Brasil. Além de acelerar a criação do Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional), um programa de socorro a bancos que reunia medidas econômicas para auxiliá-los, principalmente com relação à liquidez, isto é, com transferência de recursos da União às instituições privadas. O caso também foi decisivo para fortalecer o FGC, criado em 1995 para proteger correntistas e investidores de varejo em caso de quebra de bancos. 

Outros casos emblemáticos 

Veja abaixo os casos mais emblemáticos de falências de bancos na história mais recente do país: 

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Banco Econômico (1995): O maior rombo da história 

Além do Banco Nacional, outra instituição financeira faliu em 1995, o Banco Econômico, o banco privado mais antigo do país, fundado em 1834. A instituição baiana enfrentou uma crise profunda após o Plano Real, culminando em uma intervenção do BC em 1995. 

Investigações revelaram que o patrimônio era fictício, e o rombo chegou a R$ 15,8 bilhões. A tentativa de resgate por grupos como Odebrecht e Ultra fracassou, e o banco foi liquidado. 

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Bamerindus (1997): Do auge à liquidação 

Com raízes no Paraná e uma trajetória de expansão continental, o Bamerindus foi um dos maiores bancos da América do Sul nas décadas de 1970 e 1980. A estabilização econômica pós-Plano Real, no entanto, expôs fragilidades na gestão.  

Em 1997, o Banco Central interveio, e parte dos ativos foi incorporada pelo HSBC. O prejuízo estimado ultrapassou R$ 5 bilhões e o FGC precisou desembolsar mais de R$ 3,7 bilhões para garantir os depósitos aos cotistas na época – valor próximo de R$ 20 bilhões hoje em dia.  

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Banco Santos (2005): maquiagem contábil e intervenção federal 

Controlado pelo já falecido empresário Edemar Cid Ferreira, o Banco Santos foi alvo de intervenção do Banco Central em novembro de 2004, após a constatação de patrimônio líquido negativo em cerca de R$ 700 milhões, maquiagem de balanços e descumprimento de regras prudenciais. Sua falência foi decretada no início de 2005.  

Cruzeiro do Sul (2012): Fraudes e liquidação extrajudicial 

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O Banco Cruzeiro do Sul foi liquidado após a descoberta de manipulações contábeis e descumprimento de normas regulatórias. O rombo foi contabilizado em mais de R$ 2,2 bilhões.  

Banco BVA (2013): promessas de rentabilidade e prejuízo de R$ 1,2 bilhão 

Voltado ao crédito corporativo e à gestão de recursos, o BVA entrou em colapso após irregularidades contábeis e má gestão de riscos. O FGC pagou cerca de R$ 1,2 bilhão a 5 mil investidores, principalmente em CDBs e LCIs. O caso gerou disputas judiciais sobre o valor da garantia, pois a elevação do teto para R$ 250 mil ocorreu pouco depois da intervenção. 

PortoCred e BRK Financeira (2023–2025): O alerta contemporâneo 

Mais recentemente, a falência da Portocred e da BRK Financeira reacendeu o debate sobre a solidez das instituições de menor porte. Ambas operavam com CDBs de alto rendimento, garantidos pelo FGC, mas enfrentaram liquidação extrajudicial. 

A Portocred, com sede no Rio Grande do Sul, foi liquidada em fevereiro de 2023. O FGC iniciou os pagamentos por meio de seu aplicativo, com 12 mil credores e valores que somam R$ 521 milhões. Já a BRK Financeira, liquidada em julho de 2025, também mobilizou milhares de acionamentos do fundo, reforçando a importância da regulação sobre produtos de risco e transparência na oferta de investimentos. 

Maria Luiza Dourado

Repórter de Finanças do InfoMoney. É formada pela Cásper Líbero e possui especialização em Economia pela Fipe - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas.