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A maioria dos bebês dos EUA já não é composta por brancos não latinos

Minorias raciais e étnicas agora superam os brancos não latinos como o maior grupo de crianças com menos de 5 anos

Mãe e filha - Bloomberg
(Tomohiro Ohsumi)

(SÃO PAULO) – As minorias raciais e étnicas agora superam os brancos não latinos como o maior grupo de crianças com menos de 5 anos nos EUA, disse o Censo desse país nesta quinta-feira.

A inversão em 2014 constituiu um marco na tendência a uma maior diversidade dos EUA, que deve continuar. O número de nascimentos superou o de mortes em todos os grupos étnicos e raciais no ano passado, à exceção dos brancos não latinos, mostram os novos dados do Censo. Um relatório publicado anteriormente neste ano projetava que, por volta de 2044, a população branca, que hoje é majoritária, será a minoria.

A ascensão demográfica das minorias surge em um momento em que há mais tensões raciais nas manchetes do país, de St. Louis a Charleston, Carolina do Sul, e em que as minorias continuam atrás nos números de educação, renda e mercado de trabalho. No primeiro trimestre, os negros com mais de 25 anos ganharam US$ 0,78 por cada dólar recebido por um trabalhador branco, com base na média dos dados de renda semanal do Departamento de Estatísticas de Trabalho (BLS, na sigla em inglês) dos EUA. A população latina ficou ainda mais atrás, com US$ 0,70.

Essa desvantagem poderia ganhar um peso maior na economia dos EUA porque as minorias étnicas e raciais de hoje serão a base do mercado de trabalho de amanhã. Durante a década que termina em 2022, os latinos serão responsáveis por 80 por cento do crescimento da força de trabalho, de acordo com as projeções da BLS.

Mudanças demográficas

Se as características do mercado de trabalho das faixas etárias mais velhas das minorias continuarem iguais para seus filhos, o aumento dos grupos demográficos poderia gerar desafios de capacitação. Até 2014, 32 por cento da população dos EUA com mais de 25 anos tinha um título universitário ou superior. Essa proporção é muito menor para os adultos hispânicos ou latinos, 16 por cento. No entanto, as taxas de escolaridade nesse grupo estão subindo em relação aos 11 por cento registrados em 2000, conforme os dados do BLS.

Essas tendências de mudanças demográficas também terão consequências que vão além do mercado de trabalho: as famílias das minorias talvez façam compras de uma maneira diferente de suas contrapartes majoritárias, por exemplo, e as taxas de propriedade de imóveis são historicamente mais baixas nesses grupos.

A crescente parcela de hispânicos, em particular, também poderia afetar as políticas dos EUA, especialmente nos estados competitivos, como a Flórida. O Partido Democrata e o Partido Republicano estão visando esse crescente bloco de eleitores na eleição de 2016.

Ainda é muito cedo para saber como essas mudanças afetarão o futuro econômico e social do país, mas se os dados demográficos equivalem ao destino, os EUA estão fadados a mudar.

 

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