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Investidor diz que estamos em uma bolha tecnológica

Mais de 50 startups de tecnologia apoiadas por investidores alcançaram um valor de US$1 bilhão ou mais nos últimos 2 anos

Balões na sede do Pinterest - Bloomberg
(Michelle Le)

(SÃO PAULO) – Startups de tecnologia estão fazendo dinheiro como se não houvesse amanhã – ou como se estivéssemos no ano 2000.

Todd Dagres, um sócio-fundador na companhia de capital de risco Spark Capital em Boston, está sacudindo a retórica atual do Vale do Silício ao dizer que há comparações a serem traçadas.

“Nós estamos definitivamente em uma bolha. Essa não é tão ruim quanto a de 2000”, diz Dagres. “Se você acorda em um quarto cheio de unicórnios, você está sonhando, e não espere que esse sonho continue”.

Mais de 50 startups de tecnologia apoiadas por investidores alcançaram um valor de US$1 bilhão ou mais nos últimos 2 anos, de acordo com a companhia de pesquisas CB Insights. A lista de empresas dobrando seus valores está crescendo, e inclui o serviço de quartos Airbnb, que está levantando US$1 bilhão em uma avaliação de US$20 bilhões ou mais. O Snapchat, dono do aplicativo de envio de fotos, e o Pinterest, painel de interesses virtual, estão ambos em conversas para aumentar seus financiamentos para valores de US$19 bilhões e US$11 bilhões, respectivamente.

“Esses financiamentos privados caros e de grande porte são uma característica definidora desse círculo particular da tecnologia”, disse Bill Gurley, sócio na Benchmark in Mello, em um post de blog em 25 de fevereiro.

A rede de caronas Uber firmou a tendência atual, levantando cerca de US$4 bilhões em ações e dívidas no ano passado por uma valoração de US$40 bilhões, a mais alta para uma companhia norte-americana.

Mark Cuban, dono da Dallas Mavericks, que fez sua fortuna fundando e vendendo o Broadcast.com, também acredita que a bolha retornou.

“Se pensamos que era estúpido investir em sites públicos que não tinham chance de obter sucesso no passado, é pior hoje”, ele escreveu em um post de blog na quarta-feira.

‘Bolha de risco’

Gurley disse que esses financiamentos são diferentes das ofertas públicas iniciais bem auditadas e sugeriu que investidores estão pagando uma “rede de rendimentos múltipla por um fechamento de receita bruta”.

Mesmo assim, ele concluiu que “não estamos em uma bolha de valoração, como a mídia majoritária parece imaginar. Estamos uma bolha de risco”. Gurley não respondeu um pedido para explicar a diferença.

Alguns dos que dizem que não há bolha falam em dados. De acordo com uma pesquisa feita em 17 de fevereiro pela Fenwick & Wes LLP, a quantia em dólares investida em startups de tecnologiaatingiu seu nível mais alto desde 200 no ano passado, de cerca de US$50 bilhões.

Ainda assim, esse número e a quantidade de companhias financiando, ainda corresponde a cerca de metade do que era em 2000, disse Barry Kramer, sócio na companhia de advocacia que lidou com cinco dos principais acordos de tecnologia no ano passado, incluindo o IPO da LendingClub Corp e a compra do Whatsapp pelo Facebook por US$22 bilhões.

‘Exuberância seletiva’

Estamos em um “período de exuberância seletiva, com os vencedores levando tudo”, disse Krames, comparando o ciclo com o termo cunhado por Alan Greespan no final dos anos 1990 “exuberância irracional”.

Com o Nasdaq se aproximando de sua alta de março de 2000, Dagres, da Spark Capital, disse que “a probabilidade é de estarmos na metade do caminho”.

O catalizador final para uma quebra do surto de valorização de tecnologia pode vir com uma correção do mercado de ações, disse Mark Cannice, professor de empreendedorismo e inovação na Universidade de San Francisco.

“Para algumas dessas empresas, é difícil imaginar uma saída bem-sucedida”, disse Cannice.

 

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