Quaest: aliados de Flávio lideram em 3 Estados; Lula tem vantagem no Rio

Nova rodada em sete unidades mostra força de nomes ligados ao bolsonarismo em SP, MG e DF; no Ceará e em Pernambuco, candidatos de Lula encurtam distâncias

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A rodada de pesquisas estaduais da Quaest divulgada nesta quarta-feira (23) mantém um mapa mais favorável aos aliados de Flávio Bolsonaro (PL) do que aos nomes diretamente ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas também mostra disputas apertadas em Estados importantes do Nordeste.

Entre as sete unidades pesquisadas nesta rodada — São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Tocantins e Distrito Federal — candidatos alinhados a Flávio ocupam a liderança isolada em São Paulo, Minas e no DF.

Lula tem um aliado na dianteira isolada, Eduardo Paes (PSD), no Rio.

Em Pernambuco e no Ceará, aliados do presidente estão tecnicamente empatados com adversários que não declararam apoio a nenhum dos dois presidenciáveis. No Tocantins, a líder Professora Dorinha (União Brasil) também não integra diretamente o palanque de Lula ou de Flávio.

Os dados mostram que onde Lula e Flávio possuem aliados claramente identificados entre os líderes, a vantagem está hoje com o campo do senador.

São Paulo concentra maior vantagem

O caso mais evidente está no maior colégio eleitoral do país, São Paulo. Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem 44% das intenções de voto para o governo paulista, contra 27% de Fernando Haddad (PT). Na rodada anterior da Quaest, Tarcísio registrava 42% e Haddad, os mesmos 27%.

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Tarcísio, que durante parte da campanha manteve participação mais discreta na disputa presidencial, intensificou nos últimos dias o apoio a Flávio. Nesta quarta, participou de uma transmissão ao lado do senador e afirmou que está comprometido em ajudá-lo em um eventual governo.

Em Minas Gerais, o líder também está no campo político que apoia Flávio. Cleitinho Azevedo (Republicanos) chegou a 37%, contra 16% de Patrus Ananias (PT), candidato apoiado por Lula. Alexandre Kalil (PDT) marca 8%, Mateus Simões (PSD), 7%, e Flávio Roscoe, candidato oficial do PL, tem 5%.

A situação mineira tem uma peculiaridade: Cleitinho não é o candidato do partido de Flávio ao governo, mas declarou publicamente voto no senador para presidente. Flávio, por sua vez, já reconheceu tanto Cleitinho quanto Roscoe como apoiadores de sua campanha.

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No Distrito Federal, Celina Leão (PP), ligada ao campo bolsonarista, mantém a primeira colocação. Ela registra 33% no cenário que inclui José Roberto Arruda (PSD), enquanto Leandro Grass (PT), apoiado por Lula, soma 21%. Sem Arruda, Celina chega a 34% e Grass, a 23%.

A chapa de Celina também conta com atuação direta de Michelle Bolsonaro, candidata ao Senado pelo DF e uma das principais figuras da campanha de Flávio.

Rio é principal vantagem de Lula

No Rio de Janeiro, o cenário se inverte. Eduardo Paes (PSD), candidato apoiado por Lula, lidera com 36%, contra 23% de Douglas Ruas, do PL.

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Paes, porém, perdeu parte da distância que mantinha sobre o adversário. No levantamento de 8 de setembro, tinha 39%, enquanto Ruas aparecia com 18%. Agora, o ex-prefeito oscilou três pontos para baixo e o candidato do PL avançou cinco.

Mesmo assim, o Rio continua sendo, entre os grandes colégios eleitorais medidos nesta rodada, o Estado em que um candidato diretamente apoiado por Lula ocupa a primeira posição isolada.

Lula encurta distância no Ceará

O movimento mais relevante para o campo governista ocorreu no Ceará. Ciro Gomes (PSDB) aparece numericamente à frente, com 43%, mas Elmano de Freitas (PT) chegou a 41%. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, há empate técnico.

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A mudança desde o início do mês foi significativa. Na pesquisa anterior, Ciro tinha 45% e Elmano, 34%. O governador petista avançou sete pontos, enquanto o ex-governador oscilou dois para baixo.

Apesar de contar com o apoio do PL em sua candidatura estadual, Ciro afirma que não apoia nem Lula nem Flávio na eleição presidencial e tem evitado agendas ao lado do candidato do PL. Por isso, classificá-lo simplesmente como um aliado de Flávio distorceria a configuração local.

Pernambuco também escapa da divisão nacional

Situação semelhante ocorre em Pernambuco. Raquel Lyra (PSD) tem 41% e João Campos (PSB), apoiado por Lula, 39%. Os dois estão tecnicamente empatados diante da margem de erro de três pontos.

A diferença, que era de seis pontos no começo de setembro, caiu para dois. Raquel passou de 43% para 41%, enquanto João avançou de 37% para 39%.

A governadora não declarou apoio a Lula ou Flávio e evita se apresentar como candidata vinculada a um dos campos nacionais. Embora sua coligação tenha recebido apoio de partidos associados à direita, como o PL e o Novo, ela já rejeitou tentativas de vinculá-la diretamente à candidatura presidencial de Flávio.

Tocantins tem liderança fora dos dois polos

No Tocantins, Professora Dorinha (União Brasil) lidera com 42%, seguida por Vicentinho Júnior (PSDB), com 29%. Laurez Moreira (PSD), apoiado por Lula, aparece mais distante, com 7%.

Dorinha é apoiada pelo governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), mas sua candidatura não está entre os palanques formalmente identificados com Lula ou Flávio na disputa presidencial. Por isso, o Estado também não pode ser contabilizado automaticamente para um dos dois campos.

Direita mantém mais palanques competitivos

O quadro mais amplo da Quaest já mostrava vantagem numérica dos aliados de Flávio nas disputas estaduais. Em levantamento feito com pesquisas de agosto e setembro, candidatos alinhados ao senador apareciam isoladamente à frente em nove Estados e no Distrito Federal, contra quatro Estados liderados por aliados de Lula.

Outras sete disputas tinham empate técnico e seis eram lideradas por nomes fora dos dois principais campos presidenciais.

A rodada desta quarta não altera completamente esse desenho. Em São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal, aliados de Flávio mantêm vantagens importantes. Lula conserva o Rio e viu seus candidatos se aproximarem dos líderes em Pernambuco e, principalmente, no Ceará.

A fotografia, porém, é menos binária do que a disputa presidencial. Embora a direita ligada a Flávio tenha hoje mais candidatos claramente alinhados na liderança, parte relevante dos Estados é comandada nas pesquisas por nomes que procuram manter autonomia em relação à polarização entre o PT e o PL.

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Marina Verenicz
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