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A campanha presidencial deve reservar tanto espaço para apresentar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) quanto para tentar desconstruir a imagem do adversário. Para o jornalista e especialista em marketing político Luiz Flávio Lula Guimarães, a proporção pode chegar a 50% para cada estratégia.
“É bem provável que a campanha seja de construção em 50% do tempo e de desconstrução nos outros 50% do tempo”, afirmou Guimarães em edição especial que reuniu o Mapa de Risco e o Stock Pickers, ambos do InfoMoney.
Com mais de 20 anos de experiência em campanhas eleitorais, Guimarães trabalhou nas disputas presidenciais de Eduardo Campos e Marina Silva, em 2014, Geraldo Alckmin, em 2018, e Soraya Thronicke, em 2022, além da campanha de João Doria à Prefeitura de São Paulo, em 2016.
Segundo ele, a estratégia deve ganhar força com a propaganda eleitoral na televisão. “Essa é uma campanha de construção da candidatura, mas também é uma campanha de desconstrução do adversário”, disse.

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O eleitor independente no centro
A ofensiva ocorre em uma eleição na qual Lula e Flávio já têm bases bastante consolidadas. O desafio é alcançar quem está fora desses núcleos, especialmente o eleitor independente.
Durante o programa, Marina Verenicz, apresentadora do Mapa de Risco, destacou que os primeiros movimentos da campanha mostraram os dois candidatos buscando justamente seus territórios mais conhecidos.
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“A gente vê os dois voltando às suas origens para tentar falar ali com o seu eleitor um pouco mais fiel e talvez se distanciando um pouco desse eleitor independente”, afirmou. Lula iniciou a campanha em São Bernardo do Campo, enquanto Flávio voltou a Copacabana, palco recorrente de atos da família Bolsonaro.
Para Marina, a disputa por esse eleitor se torna ainda mais relevante porque episódios negativos têm provocado desgaste sem necessariamente produzir transferência direta de votos entre os candidatos.
Ao comentar as pesquisas divulgadas depois das revelações envolvendo Flávio e Daniel Vorcaro, ela destacou que parte dos eleitores que abandonou o candidato naquele momento migrou para indecisos, brancos e nulos, em vez de escolher um adversário.
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“A gente não viu subir o Caiado, a gente não viu subir o Renan. Não foi uma migração automática”, afirmou.
Duas versões da economia
A desconstrução também deve passar pela disputa sobre a situação econômica do país. Guimarães avalia que Lula e Flávio tentarão apresentar ao eleitor duas leituras opostas da mesma realidade. De um lado, a campanha governista tende a explorar indicadores positivos; do outro, a oposição deve enfatizar problemas econômicos e a percepção de insegurança.
“Para quem vota no presidente Lula, a situação econômica do Brasil está estável. […] Para a narrativa bolsonarista, está ao contrário: o Brasil está num caos, estamos num momento de insegurança jurídica, insegurança econômica”, afirmou.
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“Essa disputa de narrativas também é muito poderosa”, acrescentou.
A capacidade de cada campanha de impor sua interpretação da economia pode ser especialmente importante porque os indicadores nacionais nem sempre coincidem com a percepção individual do eleitor.
“A agenda positiva econômica do Lula não parece ter chegado no bolso do eleitor com essa potência que se vende como uma macroeconomia”, avaliou Marina. “O que a gente vê é o eleitor com poder de compra menor, com uma sensação de capacidade financeira menor.”
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O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.