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O senador Flávio Bolsonaro (PL) escolheu Alagoas para iniciar nesta terça-feira (25) sua campanha pelo Nordeste, região onde precisa avançar para reduzir a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A estreia, porém, ocorreu sem dois dos principais nomes do grupo político que o presidenciável pretende reunir no estado: Arthur Lira (PP) e JHC (PSDB).
O senador desembarcou em Maceió acompanhado de seu candidato a vice, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), e foi recebido por políticos como o deputado estadual Cabo Bebeto (PL) e o vereador Leonardo Dias (PL). Depois, participou de uma carreata e subiu em um trio elétrico na capital. Lira e JHC não estavam no ato.
A ausência chama atenção pelo desenho eleitoral montado pela própria campanha. Flávio declarou nesta terça apoio a JHC na disputa pelo governo de Alagoas. O ex-prefeito enfrenta Renan Filho (MDB), ex-ministro e aliado de Lula.
O presidenciável também já havia anunciado apoio a Arthur Lira e Marina Candia, mulher de JHC, para as duas vagas do estado no Senado.
A escolha de Alagoas para abrir o giro nordestino também passa por Alfredo Gaspar. O deputado deixou a disputa pelo Senado para ocupar a vice de Flávio e se tornou o principal responsável pela articulação da campanha presidencial no estado.
Nos bastidores, a saída de Gaspar da corrida ao Senado foi interpretada como um movimento que favoreceu Lira, que ganhou espaço na disputa por uma das duas vagas. A composição aproximou interesses locais da chapa presidencial, embora o ato desta terça tenha mostrado que essa convergência ainda não se traduziu na presença conjunta das principais lideranças no palanque.
Peso nacional
O cenário estadual dá à passagem de Flávio uma dimensão que ultrapassa a busca por votos no Nordeste. De um lado estão JHC e Lira; do outro, Renan Filho e o senador Renan Calheiros (MDB), dois grupos com influência direta em Brasília.
A pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (24) mostra Renan Filho com 42% e JHC com 40% na disputa pelo governo, situação de empate técnico pela margem de erro de três pontos percentuais.
Para o Senado, Lira aparece com 20%, Renan Calheiros com 18% e Marina Candia com 15%, também tecnicamente empatados.
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O desenho cria dois palanques que se conectam diretamente à eleição presidencial. Renan Filho e Renan Calheiros estão no campo de Lula. Flávio tenta consolidar JHC, Lira e Marina em torno de sua candidatura, embora JHC pertença ao PSDB, partido que adotou neutralidade na corrida pelo Planalto.
Arthur Lira ocupa uma posição particularmente relevante nessa articulação. Ex-presidente da Câmara e um dos principais nomes do Centrão, o deputado manteve relação próxima com Jair Bolsonaro durante seu governo e agora disputa a continuidade de sua influência política por meio de uma vaga no Senado.
Flávio começa Nordeste atrás de Lula
A visita ocorre um dia depois de a Quaest medir uma diferença de 15 pontos entre os dois principais presidenciáveis em Alagoas. Lula aparece com 44% das intenções de voto, contra 29% de Flávio. Renan Santos (Missão) tem 2%, enquanto outros candidatos aparecem com 1% ou menos.
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A pesquisa ouviu 804 eleitores entre 20 e 23 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
