Uma cidade de 8 mil habitantes virou um dos polos da construção no Brasil. Por quê?

Novo indicador da CBIC mostra que Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Santa Catarina lideram geração de vagas na construção quando o tamanho da população entra na conta; megaprojetos de infraestrutura impulsionam cidades como Inocência (MS) e Santa Terezinha de Goiás (GO)

Projeto Sucuriú em Inocência (MS) (Foto: Divulgação)
Projeto Sucuriú em Inocência (MS) (Foto: Divulgação)

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Com pouco mais de 8 mil habitantes, Inocência, no interior do Mato Grosso do Sul, apareceu entre as cidades que mais geraram empregos na construção civil no primeiro semestre de 2026, puxada por uma única empresa, a chilena Arauco. Foi o que mostrou a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) em seu relatório do segundo trimestre, divulgado nesta quinta-feira (13).

Pela primeira vez, a entidade calculou a geração de empregos da construção proporcionalmente ao tamanho da população de cada estado, a fim de identificar regiões onde os investimentos estão produzindo maior impacto econômico, independentemente do tamanho do mercado local. O resultado: Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Santa Catarina passaram a liderar o ranking nacional quando o saldo de vagas é medido para cada 100 mil habitantes

O mesmo cálculo foi aplicado aos municípios e, na comparação proporcional à população, Inocência (MS) e Santa Terezinha de Goiás (GO) apresentaram os melhores resultados.

No caso particular da sul-mato-grossense Inocência, o Projeto Sucuriú, da fabricante chilena de celulose Arauco, explica o avanço. Com investimento previsto de US$ 4,6 bilhões, a futura fábrica terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano, aumentando em 70% a capacidade da companhia quando estiver operando 100%, em 2028. Até 14 mil trabalhadores devem ser empregados no pico das obras.

Inocência registrou saldo de 3.810 vagas até junho. Além disso, a população flutuante da cidade gira hoje em torno de 23 mil pessoas, quase três vezes superior ao número de moradores permanentes do município. O movimento tem impulsionado obras de infraestrutura, novos empreendimentos imobiliários e a demanda por serviços.

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Já Santa Terezinha de Goiás registrou saldo de 1.580 vagas na construção e liderou o ranking nacional proporcional à população. De acordo com a CBIC, o desempenho está ligado principalmente a obras de infraestrutura, especialmente projetos rodoviários.

A entidade também destacou Jaguarari, no interior da Bahia, entre as cidades com maior dinamismo relativo do país.

Os casos ilustram uma mudança que a entidade identifica no setor: os investimentos da construção estão menos concentrados nos grandes centros urbanos e mais associados a grandes projetos de infraestrutura e indústria espalhados pelo interior do país.

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“Santa Terezinha de Goiás e Inocência são exemplos de como os investimentos em construção podem transformar rapidamente o mercado de trabalho de municípios menores”, afirmou Ieda Vasconcelos, economista-chefe da CBIC.

Infraestrutura assume protagonismo

A interiorização coincide com outro movimento observado pela entidade: a infraestrutura se tornou o principal vetor de crescimento da construção civil em 2026. Pela primeira vez desde o início da série do Novo Caged, em 2020, o segmento superou a construção de edifícios na geração de empregos.

No primeiro semestre, as obras de infraestrutura criaram 64.793 vagas formais, alta de 30,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo a CBIC, concessões, PPPs e investimentos associados ao marco legal do saneamento estão entre os principais responsáveis por esse avanço.

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Maria Luiza Dourado
Minhas Finanças | Carreira | Consumo

Repórter de Finanças do InfoMoney. É formada pela Cásper Líbero e possui especialização em Economia pela Fipe - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas.