Coreia do Sul fora do MSCI Emergentes? Brasil pode ser um dos beneficiados

Mudança no MSCI com saída da Coreia do Sul pode redirecionar quase US$ 9 bilhões para a América Latina e também impactar ativos brasileiros

Operadores de câmbio trabalham enquanto um painel eletrônico exibe o Índice Composto de Preços de Ações da Coreia (KOSPI) e a taxa de câmbio entre o dólar americano e o won sul-coreano na sala de operações de um banco em Seul, Coreia do Sul, em 14 de julho de 2026. REUTERS/Kim Soo-hyeon/Foto de Arquivo
Operadores de câmbio trabalham enquanto um painel eletrônico exibe o Índice Composto de Preços de Ações da Coreia (KOSPI) e a taxa de câmbio entre o dólar americano e o won sul-coreano na sala de operações de um banco em Seul, Coreia do Sul, em 14 de julho de 2026. REUTERS/Kim Soo-hyeon/Foto de Arquivo

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Um conjunto de decisões do MSCI (Morgan Stanley Capital International) poderá remodelar o índice de referência dos mercados emergentes (EM) nos próximos anos e ter impacto positivo para a América Latina, segundo o Bank of America (BofA).

O MSCI realiza diversos índices para acompanhar o desempenho das principais bolsas internacionais, que são utilizados como referência para diversos fundos passivos de investimento ao redor do mundo.

Desta forma, eventuais remodelagens podem alterar os fluxos nas regiões. O BofA chama a atenção de que a possível reclassificação da Coreia do Sul para o índice de mercados desenvolvidos (DM) da MSCI voltou ao radar dos investidores e pode beneficiar diretamente os mercados latino-americanos. Segundo análise de David Beker e equipe, uma eventual saída dos sul-coreanos do índice MSCI Emerging Markets elevaria o peso relativo da América Latina e poderia gerar cerca de US$ 8,69 bilhões em fluxos para a região.

A Coreia do Sul atualmente representa cerca de 18% do MSCI Emerging Markets, tornando-se um dos maiores componentes do índice ao lado de China, Taiwan e Índia. Caso o país seja promovido ao grupo dos mercados desenvolvidos, o peso dos demais integrantes do índice emergente aumentaria automaticamente, incluindo os países latino-americanos.

De acordo com os cálculos do BofA, o peso da América Latina no MSCI EM subiria de aproximadamente 7,2% para 8,8% apenas com a saída da Coreia do Sul, gerando o fluxo adicional de quase US$ 9 bilhões.

Se forem consideradas também eventuais saídas de Grécia, Indonésia e Turquia do índice de emergentes, o potencial de entrada de recursos para a América Latina chegaria a US$ 9,6 bilhões, elevando a participação regional para cerca de 8,9% do MSCI EM.

Coreia do Sul: principal fator de mudança

Na avaliação do BofA, a reclassificação da Coreia do Sul é o evento mais relevante entre as possíveis mudanças de países nos índices da MSCI.

Em junho deste ano, a MSCI reconheceu avanços implementados pelo país asiático, mas apontou que ainda persistem questões relacionadas à conversibilidade da moeda local, liquidez do mercado de câmbio e acessibilidade para investidores estrangeiros. Desde então, as autoridades sul-coreanas anunciaram negociações do won durante 24 horas por dia e novas medidas para ampliar a conversibilidade da moeda e o acesso offshore.

Ainda assim, o BofA avalia que uma decisão dificilmente ocorrerá antes de 2027. “A história da Coreia do Sul é um tema para 2027, não para 2026”, afirmam os estrategistas do banco.

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Apesar do impacto positivo para a América Latina, o efeito sobre cada mercado individualmente seria mais modesto.

O BofA calcula que o Brasil, atualmente com peso de cerca de 4,3% no MSCI Emergentes, passaria para aproximadamente 5,2% caso a Coreia do Sul deixasse o índice, enquanto o México avançaria de 1,8% para 2,2%.

Mesmo assim, a alteração poderia aumentar a atratividade relativa da região para fundos passivos e investidores internacionais que replicam a composição do MSCI EM.

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Outras mudanças

Além da Coreia do Sul, a MSCI já confirmou que a Grécia deixará o grupo de emergentes para ingressar no índice de mercados desenvolvidos em maio de 2027. Como o país responde por apenas 0,6% do MSCI EM, o impacto sobre os demais integrantes tende a ser limitado.

A Indonésia e a Turquia, por outro lado, enfrentam risco de rebaixamento para a categoria de mercados de fronteira (Frontier Markets). Segundo a MSCI, persistem preocupações relacionadas à transparência acionária, estrutura de free float e possíveis distorções de negociação nos dois mercados. Caso não haja avanços até novembro de 2026, consultas formais sobre uma eventual mudança de classificação poderão ser iniciadas.

Já a Argentina continua buscando o retorno ao grupo de mercados emergentes, mas o processo deve ser longo. O BofA ressalta que ainda existem restrições ligadas ao mercado cambial, acessibilidade e estabilidade institucional. Mesmo em um cenário positivo, uma eventual reclassificação dificilmente seria anunciada antes de meados de 2027.

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Enquanto isso, o Vietnã segue avançando em reformas destinadas a viabilizar sua entrada no índice de emergentes até o fim desta década, embora a MSCI ainda veja limitações relacionadas à propriedade estrangeira e à liquidez do mercado.

Uma eventual saída da Coreia do Sul também aumentaria a concentração do índice em seus maiores mercados. Segundo o BofA, Taiwan passaria a representar cerca de 32% do MSCI Emergentes, ante 26% atualmente. A China subiria de 19% para 24%, enquanto a Índia avançaria de 12% para 15%.

Mesmo com o aumento de participação da América Latina, a região continuaria relativamente pequena dentro do índice global de emergentes, muito distante do peso alcançado há duas décadas, quando representava aproximadamente 20% da composição do benchmark.

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Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.