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A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) mostrou realidades distintas para as principais empresas do setor elétrico brasileiro. Enquanto Axia Energia (AXIA3), Copel (CPLE3) e Engie Brasil (EGIE3) registraram crescimento operacional e foram beneficiadas por melhores condições no mercado de geração, a Auren (AURE3) continuou enfrentando pressão de custos de compra de energia e alavancagem elevada, o que pesou sobre seus resultados.
Com isso, às 11h (horário de Brasília), as ações AXIA3 subiam cerca de 1%, Engie e Copel (CPLE3) tinham estabilidade e as da Auren caíam cerca de 3%.
Apesar das diferenças, analistas avaliam que os balanços ficaram, em geral, alinhados às expectativas do mercado.
Entre os destaques positivos, a Axia apresentou o maior crescimento operacional do grupo. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado atingiu R$ 6,4 bilhões no trimestre, alta de 12% na comparação anual, impulsionado principalmente pelo negócio de geração. Segundo o UBS BB, a companhia se beneficiou de um GSF mais favorável, preços mais altos de energia no mercado livre e maiores ganhos com modulação. A margem de contribuição da geração avançou 17% em um ano, reforçando a estratégia da empresa de manter uma posição mais exposta às oscilações dos preços de energia.
A Copel também apresentou um trimestre considerado consistente pelos analistas. O Ebitda consolidado somou R$ 1,61 bilhão, alta de 21% em relação ao mesmo período do ano passado, com destaque para a distribuidora, cujo Ebitda avançou 33% na mesma base de comparação. O crescimento foi sustentado pelo aumento de 7,2% no volume faturado de energia, favorecido pela atividade econômica e pelas temperaturas mais elevadas no início do trimestre.
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Já a Engie Brasil entregou um dos resultados operacionais mais fortes da safra. O Ebitda alcançou R$ 2,05 bilhões, crescimento de 23% na comparação anual e acima das estimativas do UBS BB. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento da geração, favorecido pela entrada de novas usinas em operação, pela aquisição de ativos hidrelétricos e por condições hidrológicas favoráveis em parte de seu portfólio. A geração total cresceu 6,5%, para 9,5 TWh.
No lado mais fraco da comparação ficou a Auren. Embora tenha reportado Ebitda de R$ 749 milhões em linha com as expectativas, o indicador recuou 15% em relação ao segundo trimestre de 2025, enquanto a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 379 milhões. Tanto UBS BB quanto XP apontaram que o principal problema continua sendo o aumento dos custos de compra de energia, que avançaram cerca de 33% na comparação anual.
A empresa conseguiu compensar parte dos impactos negativos por meio dos ganhos de modulação, que somaram R$ 71 milhões no trimestre, mas isso não foi suficiente para neutralizar a pressão causada pela posição comprada de energia e pelas despesas financeiras mais elevadas. O UBS observa ainda que a Auren permanece entre as companhias mais intensivas em investimentos da cobertura, com alavancagem de 5,3 vezes dívida líquida/Ebitda e desembolsos relevantes para a conclusão do projeto Cajuína 3.
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Na visão dos analistas, os resultados reforçam uma divisão cada vez mais clara dentro do setor elétrico. Empresas como Axia, Copel e Engie estão conseguindo capturar benefícios de uma combinação de crescimento operacional, disciplina financeira e maior capacidade de remuneração ao acionista. Já a Auren continua dependente de uma melhora no equilíbrio energético e de avanços estruturais para reduzir os efeitos do curtailment e dos custos de energia, fatores que seguem limitando a recuperação dos resultados.
Confira como foi cada balanço:
Axia: geração forte e foco crescente em retorno ao acionista
A Axia entregou o maior resultado operacional entre as empresas analisadas. O Ebitda ajustado atingiu R$ 6,4 bilhões no segundo trimestre, avanço de 12% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto o lucro líquido alcançou R$ 1,7 bilhão, alta de 35% na base anual. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo segmento de geração, beneficiado por um cenário mais favorável de preços de energia, melhora do GSF e maiores ganhos com modulação.
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Segundo o UBS BB, a margem de contribuição da geração cresceu 17% em um ano, para R$ 3,7 bilhões. Os preços médios dos contratos no mercado livre (ACL) avançaram 24%, chegando a R$ 191/MWh, enquanto o GSF atingiu 99,2%, ante 95,6% um ano antes. Os analistas destacam que o resultado reforça a estratégia da companhia de manter maior exposição aos preços de energia em comparação com seus pares.
Na transmissão, a contribuição permaneceu praticamente estável em R$ 4 bilhões, mas a empresa continuou investindo pesadamente na expansão da rede. Apenas no trimestre foram destinados R$ 1,1 bilhão para reforços e melhorias e outros R$ 636 milhões para projetos de expansão, configurando um dos maiores ciclos de investimento em transmissão da década para a companhia.
O principal destaque para o mercado, porém, foi a geração de caixa. A empresa informou possuir R$ 3,7 bilhões de capital disponível para alocação no trimestre, elevando para R$ 7,7 bilhões o total acumulado no primeiro semestre. XP e UBS BB entendem que esses recursos tendem a ser direcionados para dividendos e recompra de ações, fortalecendo a tese de retorno ao acionista. A XP calcula um potencial de retorno equivalente a cerca de 5% apenas com os anúncios de distribuição realizados até agora.
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Copel: distribuição segue sendo o principal motor de crescimento
A Copel apresentou Ebitda consolidado somou R$ 1,61 bilhão, crescimento de 21% em relação ao segundo trimestre de 2025, enquanto o lucro líquido recorrente ficou em R$ 645 milhões, alta de 13% na mesma comparação.
O principal destaque veio da distribuidora, uma vez que o Ebitda do segmento alcançou R$ 766 milhões, avanço de 33% em base anual e acima das projeções do UBS BB. O desempenho foi impulsionado pelo aumento de 7,2% nos volumes faturados de energia e pelas temperaturas mais elevadas registradas no início do trimestre, fatores que contribuíram para elevar a demanda.
A XP também ressaltou a evolução da margem da distribuidora, com a margem bruta regulatória (Parcela B) avançando cerca de 18% em relação ao ano anterior, enquanto os volumes faturados cresceram 7%. Apesar de despesas operacionais ligeiramente acima das projeções, o segmento seguiu demonstrando forte capacidade de geração de resultado.
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Já o braço de geração e transmissão registrou Ebitda de aproximadamente R$ 838 milhões, crescimento de 10% na comparação anual. A geração hidrelétrica caiu 10,9%, refletindo desinvestimentos realizados anteriormente, enquanto a geração eólica recuou 17,4% devido ao aumento dos cortes de geração (curtailment), que saltaram de 15,7% para 23,7%. Ainda assim, efeitos positivos de modulação e transmissão ajudaram a compensar parte dessa pressão.
Outro ponto elogiado pelos analistas foi o controle de custos. Segundo o UBS BB, os custos gerenciáveis recuaram 1% na comparação anual, desempenho considerado positivo em um ambiente ainda pressionado pela inflação. Para a XP, a companhia continua combinando crescimento com dividendos elevados, sustentada por uma gestão vista como uma das melhores do setor elétrico brasileiro.
Engie: expansão da geração impulsiona resultado
A Engie Brasil apresentou um dos trimestres operacionalmente mais fortes da temporada, segundo analistas.
O destaque foi a expansão da geração, com a produção de energia aumentando 6,5%, alcançando 9,5 TWh no trimestre. O crescimento foi impulsionado pela aquisição das hidrelétricas Santo Antônio do Jari e Cachoeira Caldeirão, pela entrada gradual de novos projetos e por condições hidrológicas favoráveis em parte do portfólio da empresa.
A receita líquida também foi beneficiada uma vez que, segundo o UBS BB, o aumento da geração e a entrada de novos ativos adicionaram aproximadamente R$ 425 milhões à receita líquida na comparação anual, favorecendo diretamente o crescimento operacional.
O trimestre foi marcado ainda por uma série de eventos corporativos, com a companhia concluindo a contribuição de sua participação em Jirau Energia para sua oferta de ações, elevou o capital social em R$ 8,36 bilhões e aprovou R$ 771 milhões em dividendos intermediários, equivalentes a 55% do lucro recorrente do primeiro semestre.
O lucro foi favorecido por um ganho extraordinário relacionado à renegociação de passivos ligados ao Uso de Bem Público (UBP). Mesmo excluindo esse efeito, o UBS BB calcula que o lucro ajustado teria avançado 22% em um ano, evidenciando que a melhora operacional foi o principal motor do resultado.
Auren: custos de energia continuam pressionando os resultados
Em sentido oposto, a Auren voltou a apresentar um trimestre desafiador. O Ebitda ajustado ficou em R$ 749 milhões, praticamente em linha com as estimativas dos analistas, mas representou queda de 15% segundo o UBS BB e de cerca de 35% na comparação anual pela leitura da XP. A companhia ainda registrou prejuízo líquido de R$ 379 milhões no período.
A principal pressão veio dos custos com compra de energia. Segundo o UBS BB, essa linha cresceu 33% em relação ao segundo trimestre de 2025, adicionando aproximadamente R$ 444 milhões em despesas. A XP também destacou que os gastos com aquisição de energia avançaram cerca de 35% na comparação anual, reduzindo significativamente a rentabilidade da companhia.
Operacionalmente, a geração permaneceu praticamente estável. A produção hidrelétrica cresceu 9%, mas a geração eólica caiu 10%, levando a um avanço de apenas 1% na geração consolidada. A empresa continuou sofrendo com o curtailment, especialmente em ativos eólicos, embora os ganhos com modulação tenham ajudado a amenizar parte desses impactos. O UBS BB estima que a modulação adicionou R$ 71 milhões ao resultado do trimestre, acima do esperado.
Outro fator de preocupação continua sendo a estrutura de capital. A alavancagem permaneceu elevada em 5,3 vezes dívida líquida sobre Ebitda ajustado, uma das maiores entre as empresas acompanhadas pelos analistas. Além disso, a companhia segue consumindo caixa com investimentos relevantes, especialmente no projeto Cajuína 3, que já atingiu 88% de avanço físico.



