Conheça o MSCI e saiba por que as suas mudanças mexem tanto com as ações

Índice é acompanhado com gestores que movimentam US$ 30 bilhões; entrada de uma ação nesse benchmark pode indicar uma forte pressão compradora para o papel

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SÃO PAULO – Na noite da última quarta-feira (14), o MSCI (Morgan Stanley Capital International) revelou a revisão semestral das suas carteiras teóricas. Para as ações da BM&FBovespa, houve mudanças no MSCI Brazil, que abrange apenas ações brasileiras.

As units da Via Varejo (VVAR11), dona da Casas Bahia e do Ponto Frio, foram incluídas no índice, na carteira teórica válida a partir de junho, conforme divulgado na noite de quarta-feira. Já os papéis da Cia Hering (HGTX3), Marcopolo (POMO4) e MRV Engenharia (MRVE3) foram excluídos da carteira.

O impacto nas ações
O MSCI realiza um índice para acompanhar o desempenho das principais bolsas internacionais. Os índices MSCI são utilizados como referência para diversos fundos passivos de investimento ao redor do mundo. No caso do Brasil, conforme aponta relatório do Itaú BBA, estima-se que cerca de US$ 30 bilhões em investimentos esteja atrelado aos fundos.

Essa forte exposição de investidores estrangeiros é o motivo pelo qual as ações que são incluídas geralmente respondem com valorização – e as excluídas em suma apresentam queda. Como estes fundos precisam acompanhar o benchmark, eles precisam encarteirar ou se desfazer destes ativos para que a performance fique em linha com o movimento do MSCI. 

“[O MSCI] serve de referência para muitos fundos estrangeiros, vários com restrição estatutária de investimento em ações que integram o índice. Portanto, estar ou não no MSCI pode representar a abertura de uma fronteira de potenciais investidores”, afirma Roberto Altenhofen, analista da casa de research Empiricus.

Compre o que entrou, venda o que saiu
Por conta disso, Altenhofen recomenda uma operação muito simples, mas que costuma funcionar neste período: compre as ações que vão entrar no MSCI e venda as devem sair. “Obviamente, esta estratégia está escorada em fluxo e em performance passada – que nunca foi garantia de resultados futuros. Pode parecer ridículo, mas tem funcionado”, atestou o analista ao se referir às mudanças no ano passado. E esta tese parece ter funcionado também nesta carteira.

Esse fluxo já começou a ser percebido na última segunda-feira (12): as ações da Hering, que foram removidas do MSCI, que caem mais de 2% nesta sessão, registraram baixa nos últimos três pregões e acumulam queda de cerca de 5% na semana. Enquanto isso, a Marcopolo, que vê seus papéis caírem 1,4%, já vinha de queda nas últimas duas sessões, de 2,07% na terça-feira e 1,41% no dia da revisão. 

Já a MRV viu suas ações ficarem estáveis na última sessão, enquanto caiu 2,09% na última terça-feira. Nesta data, os papéis têm perdas de mais de 3%, também repercutindo resultados. O lucro líquido da construtora e incorporadora MRV (MRVE3) no primeiro trimestre teve leve alta na comparação anual de 2,7%, mas  ficou abaixo das estimativas de analistas, enquanto a companhia ainda espera um nível de rescisões de contratos similar para o restante do ano.

Diferenças com o Ibovespa
O índice do Morgan Stanley mostra diferenças bastante significativas com relação ao Ibovespa. A BM&FBovespa leva em conta basicamente o volume de negociações e o número de transações para a composição do Ibovespa. Enquanto isso, o MSCI tem como um dos seus principais critérios o valor de mercado, assim como os projetos utilizados para a capitalização da empresa e a proporção de ações em circulação.

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Desta forma, conforme apontou o estrategista do BB Investimentos, Hamilton Alves, o investidor pode se aproveitar destes movimentos de curto prazo, posicionando nos ativos que passarão a integrar o índice, uma vez que os fundos de investimento – tanto passivos quanto ativos – passarão a fazer recomposição da carteira. Entretanto, no médio a longo prazo, a história é outra. “Nada indica qual será o movimento destes papéis após o ajuste do mercado”, avalia Alves.

O poder de “surpreender” que o MSCI tem
Além disso, conforme aponta o estrategista, os critérios de escolha para a entrada no MSCI não são tão explícitos quanto os observados para a inclusão de outros índices, como o Ibovespa. 

Desta forma, conforme aponta Alves, o investidor pode até fazer uma previsão de quais ações entrarão no MSCI e se aproveitar de um possível movimento, mas os critérios para a entrada neste índice são de certa forma mais “imprevisíveis” do que para ingressar no Ibovespa. 

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“No caso do benchmark da bolsa, conseguimos antecipar o movimento e adquirir as ações aos poucos que irão compor o índice, uma vez que temos três prévias, o que não é o caso do MSCI”, avalia o estrategista. “Os critérios para a entrada neste índice são menos claros”, conclui.


Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.