Governo prepara nova ação na OMC contra tarifas impostas pela gestão Trump

Planalto avalia que processo anterior não pode ser reaproveitado e pretende contestar nova rodada de sobretaxas que atinge exportações brasileiras

Marina Verenicz

Logo da Organização Mundial do Comércio (OMC) (Foto: REUTERS/Denis Balibouse)
Logo da Organização Mundial do Comércio (OMC) (Foto: REUTERS/Denis Balibouse)

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O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve voltar à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a nova escalada tarifária imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A iniciativa ocorre após a administração de Donald Trump ampliar as sobretaxas sobre parte das exportações do Brasil, que passaram a alcançar até 37,5% em alguns segmentos.

Segundo apuração da Folha de S.Paulo, a equipe do governo concluiu que não será possível utilizar o processo aberto no ano passado contra a tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos. A avaliação é que a nova ofensiva americana possui fundamentos jurídicos distintos, exigindo a abertura de outro contencioso na OMC.

Embora o governo pretenda recorrer ao organismo internacional, a medida tem alcance prático reduzido. Desde 2019, o sistema de solução de controvérsias da OMC enfrenta um impasse institucional que impede a obrigatoriedade do cumprimento de suas decisões pelos países-membros.

Tarifas passaram a se acumular

A nova disputa surge após Washington anunciar uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros com base em uma investigação conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

Segundo o governo americano, o Brasil apresentaria falhas no combate à importação de produtos produzidos com trabalho forçado, o que geraria vantagens competitivas consideradas desleais.

Essa sobretaxa foi adicionada à tarifa de 25% já aplicada anteriormente por supostas práticas comerciais injustas relacionadas ao desmatamento e ao sistema de pagamentos instantâneos Pix.

Na prática, parte das exportações brasileiras passou a ser atingida pelas duas medidas simultaneamente.

De acordo com cálculos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), 16,5% das vendas brasileiras destinadas ao mercado americano estão sujeitas à incidência acumulada das duas tarifas, elevando a alíquota total para 37,5%.

Entre os setores mais afetados estão os de máquinas e equipamentos, madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.

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Governo contesta

Logo após o anúncio da nova tarifa, o governo brasileiro rejeitou formalmente as conclusões da investigação conduzida pelos Estados Unidos.

Em nota, o Planalto afirmou que não concorda com a aplicação da Seção 301 ao caso brasileiro e contestou a alegação de que o país não combate adequadamente a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado.