EUA anunciam sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros

Sobretaxa por suposta falha no combate ao trabalho forçado entra em vigor nesta sexta-feira e amplia pressão comercial sobre exportações brasileiras

Marina Verenicz

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa sobre tarifas no Jardim das Rosas da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA, em 2 de abril de 2025. REUTERS/Carlos Barria/Foto de arquivo
O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa sobre tarifas no Jardim das Rosas da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA, em 2 de abril de 2025. REUTERS/Carlos Barria/Foto de arquivo

Publicidade

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) uma nova sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, aprofundando a ofensiva comercial contra o Brasil. A medida, confirmada pelo representante comercial americano, Jamieson Greer, entra em vigor na sexta-feira (24) e se soma à tarifa de 25% aplicada desde quarta-feira (22), elevando a tributação potencial para até 37,5% sobre parte das importações brasileiras.

A nova cobrança decorre de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que concluiu que o Brasil não adota mecanismos suficientes para impedir a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado em seu mercado.

Segundo o USTR, o governo brasileiro falhou tanto na implementação quanto na aplicação de uma proibição efetiva à importação desse tipo de mercadoria. Com base nessa conclusão, a administração de Donald Trump decidiu impor a tarifa adicional utilizando os instrumentos previstos na legislação comercial americana.

A decisão já era esperada pelo governo brasileiro. Nos últimos dias, integrantes da equipe econômica e do Itamaraty vinham trabalhando com a perspectiva de que Washington adotaria uma nova rodada de medidas após a conclusão das investigações.

Brasil não foi o único alvo

Além do Brasil, a nova sobretaxa foi aplicada a países como Argentina, China e Canadá, além da União Europeia. A decisão faz parte da estratégia da Casa Branca de ampliar o uso de tarifas como instrumento de política comercial e de pressão sobre governos considerados desalinhados aos interesses americanos.

A sobretaxa de 12,5% está relacionada especificamente às conclusões sobre trabalho forçado, mas integra um conjunto mais amplo de questionamentos apresentados pelos Estados Unidos ao Brasil.

Na investigação concluída neste mês com base na Seção 301 da Lei de Comércio, o USTR também analisou temas como o Pix, comércio digital, tarifas preferenciais, proteção à propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

No relatório, o órgão afirma que políticas públicas brasileiras favorecem o Pix e colocam empresas americanas do setor de pagamentos eletrônicos em “desvantagem injusta”. Também sustenta que práticas relacionadas ao desmatamento afetam a competitividade dos produtores rurais dos Estados Unidos.

Essas conclusões embasaram a tarifa de 25% anunciada em 15 de julho e que começou a valer nesta quarta-feira.

Continua depois da publicidade