Fraudar identidades ficou 100 vezes mais barato na era da IA generativa

Levantamento da empresa de verificação de identidade Unico aponta para queda de 100 vezes no custo de ataques sofisticados impulsionada por IA

Iuri Santos

Foto: Freepik
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As barreiras de entrada para executar fraudes parecem estar se dissolvendo conforme ferramentas de inteligência artificial generativa dão acesso em larga escala à manipulação de documentos e personificação por bots.

Um estudo publicado pela empresa de verificação de identidade Unico dá a medida do problema: o custo para fazer um ataque sofisticado combinando múltiplas técnicas como deepfakes e manipulações físicas complexas reduziu mais de cem vezes entre junho de 2025 e abril de 2026.

A Unico pôde identificar um perfil fraudulento que, sozinho, foi associado a 949 identidades diferentes e alcançou até 30 empresas.

Cerca de 90% dos profissionais de fraude apontam conteúdos sintéticos, como documentos manipulados e personificação por bots, como uma das principais preocupações atuais. A pesquisa foi feita em parceria com a empresa de inteligência Liminal, batizada de Relatório de Inteligência Sobre Fraude de Identidade: Tendências e Insights.

“O Brasil é o principal termômetro para entender a transição da fraude. Temos um ecossistema altamente avançado, impulsionado por pautas ativas de Open Finance e regulado pela LGPD, mas é essa mesma escala que atrai ataques massivos, como as 500 mil tentativas de deepfakes bloqueadas na região”, afirma Fernanda Beato, General Manager da Unico no Brasil.

Para se ter dimensão, métodos avançados de fraude correspondem a 23,3% do total de ataques monitorados globalmente. Na América Latina, o número é de 50%.

O recorte nacional aponta que os alertas de fraude se concentram nas regiões de maior atividade digital, lideradas por São Paulo, com 22% das ocorrências. O valor é superior a toda a região Sul. A Nordeste, com atividade concentrada em Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, concentra 11,5% das tentativas de fraude.

“O ponto de atenção para líderes financeiros é que a verificação de identidade deixou de ser um passo de conformidade regulatória para se tornar o alicerce estratégico onde defesa conectada protege a receita e a reputação das instituições”, aponta Beato.

Iuri Santos

Repórter de inovação e negócios no IM Business, do InfoMoney. Graduado em Jornalismo pela Unesp, já passou também pelo E-Investidor, do Estadão.