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A busca global por soluções voltadas à segurança energética e à diversificação de matrizes tem impulsionado a expansão de companhias dedicadas a fontes domésticas no Brasil.
Dentro do cenário de transformação e aumento na demanda por potência elétrica, a Origem Energia estruturou sua operação focando no desenvolvimento do gás natural terrestre e na integração de infraestrutura. Com presença em quatro Estados brasileiros, a empresa mira alcançar mais de R$ 2 bilhões em receitas para o ano de 2026.
Conforme o CEO e um dos fundadores da Origem Energia, Luiz Felipe Coutinho, a criação da companhia há cerca de dez anos surgiu após identificarem que a indústria nacional de gás natural sofria com uma concentração excessiva.
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O executivo participou do Expert Talks, conduzido pelo estrategista-chefe e head do Research da XP, Fernando Ferreira, e pelo head de óleo e gás da instituição, Regis Cardoso, onde ressaltou que a proposta inicial visava alterar o modelo de importação de combustíveis adotado no país.
“A Origem sempre foi pensada como uma empresa de soluções energéticas integradas para mudar um modelo que a gente julgava errado no Brasil, de importação de combustível. A gente achava que o Brasil precisava se voltar mais para as suas fontes domésticas de geração primária de energia, em especial”, disse Coutinho.
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Estratégia em ativos onshore e previsibilidade financeira
Nos primeiros anos de atuação, a empresa aproveitou oportunidades geradas pela concentração da indústria petrolífera tradicional. A Origem figurou como única ofertante na aquisição do Polo Tucano Sul, na Bahia, marcado por ser o primeiro ativo de gás natural alienado pela Petrobras (PETR4).
Outro movimento relevante foi a compra do Polo Alagoas, área com potencial para expansão de reservas e menor histórico de intervenção anterior.
“A bacia de Alagoas não é uma bacia madura, e sim uma bacia em desenvolvimento com muito potencial de incremento de reservas. E a explicação para isso é que a Petrobras não queria gás natural no passado”, disse Coutinho.
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Embora o petróleo possa apresentar margens superiores em janelas temporais de curto prazo quando a cotação do Brent se mantém alta, a previsibilidade dos contratos de gás natural oferece proteção de caixa mais consistente em horizontes de dez a 15 anos. Na avaliação do executivo da Origem Energia, a receita protegida no longo prazo tende a superar a oscilação do mercado internacional de commodity.
“Quando olho para um fluxo de caixa mais previsível, mais protegido ao longo de 10, 15 anos, se fizer a conta, muito provavelmente o gás vai ter uma economicidade mais interessante que o nível do Brent”, afirmou.
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Desafios regulatórios, infraestrutura e segurança energética
A transição global para projetos focado na soberania e no acesso a fontes energéticas firmes reflete transformações na concorrência demográfica por recursos e no perfil do consumo de eletricidade, acelerado pelo avanço do processamento de dados e da inteligência artificial.
Segundo Coutinho, o Brasil apresenta vantagens competitivas para atração de data centers devido à diversidade de fontes, mas enfrenta entraves legislativos e disparidades no custo da energia para o consumidor final.
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Na visão do CEO, a região Nordeste possui condições favoráveis para a produção onshore competitiva, necessitando da adequação regulatória adequada para acelerar investimentos. A aceleração da busca mundial por segurança acabou antecipando a consolidação da tese de negócios da empresa.
“A aceleração que teve para o tipo de solução que a gente oferece, foi o melhor dos cenários. A tese acabou se comprovando de uma maneira bem mais acelerada pelo que aconteceu no mundo”, pontuou.
Trajetória de produção, recordes e novos projetos
A evolução operacional da Origem Energia deu-se em três etapas principais: a abertura inicial de poços de gás, a realização de intervenções de manutenção (workover) e a perfuração de novos poços concomitante à manutenção dos existentes.
No segundo trimestre de 2026, a empresa atingiu o patamar produtivo mais alto de sua história, com média diária de 16,9 mil barris de óleo equivalente. O volume representa uma expansão de quase 40% em relação ao primeiro trimestre e um avanço de 28,2% ante o mesmo período de 2025, impulsionado pelas intervenções no Polo Alagoas.
“A gente tem toda uma bacia a ser desenvolvida e outros campos que ainda sequer começamos a tatear”, disse Coutinho.
Para viabilizar o crescimento, a companhia desenvolveu estudos para mapear reservatórios, elevou o padrão de prestadores de serviços e priorizou a internalização da mão de obra primária.
Após vencer o LRCAP 2026 (Leilão de Reserva de Capacidade de Potência), a companhia prevê o desenvolvimento de sete usinas termelétricas a gás natural em Alagoas, com início das operações projetado para 2028 e investimentos estimados em R$ 2 bilhões.
O encerramento do primeiro ciclo de cinco anos estabelece uma estrutura financeira resiliente para explorar oportunidades como a posição do Brasil no Atlântico Sul para exportação de soluções energéticas em um mercado com restrições comerciais.
“Os próximos cinco anos da Origem, a gente está começando a escrever agora. E eu diria que é muito promissor com aquilo que é valor inerente nosso: muita disciplina de capital, sem tomada de decisão irresponsável, buscando alocar naquilo que vai nos ajudar a ter double digits returns em dólar no longo prazo”, disse Coutinho.