Tarifaço afeta US$ 11 bi em exportações do agro e da indústria, diz Câmara Americana

Governo Trump anunciou tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Medida entra em vigor em 22 de julho

Agência O Globo

Bandeiras do Brasil e dos EUA (Foto: Divulgação: Embaixada dos Estados Unidos)
Bandeiras do Brasil e dos EUA (Foto: Divulgação: Embaixada dos Estados Unidos)

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Após o anúncio do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre cerca de 3 mil produtos brasileiros, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) afirmou, nesta quinta-feira, que a medida deve afetar mais de US$ 11 bilhões em exportações da indústria e do agronegócio, classificando a decisão como um resultado “muito negativo” para a relação bilateral entre os dois países. A sobretaxa entra em vigor em 22 de julho.

A manifestação ocorre um dia depois de o governo de Donald Trump oficializar a tarifa como desfecho da investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial americana. A medida atingirá milhares de produtos exportados pelo Brasil, embora uma lista de exceções preserve itens relevantes da pauta comercial brasileira, como carne bovina, café, suco de laranja, petróleo, gás e componentes aeroespaciais.

O governo americano justificou a decisão com alegações de práticas comerciais consideradas desleais pelo Brasil, incluindo questões relacionadas ao Pix, propriedade intelectual, combate ao desmatamento ilegal e acesso ao mercado brasileiro.

Amcham pede diálogo e alerta para impactos

Na avaliação da Amcham, além de prejudicar exportadores e produtores brasileiros, a sobretaxa poderá elevar custos para empresas e consumidores americanos, reduzir a competitividade da indústria dos Estados Unidos que utiliza insumos brasileiros e ampliar a dependência de fornecedores asiáticos. A entidade também afirma que a medida tende a aprofundar a retração do comércio bilateral, que já acumula queda de 13% neste ano, além de comprometer investimentos e limitar a cooperação em áreas estratégicas, como minerais críticos, energia, economia digital e propriedade intelectual.

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O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, defendeu a continuidade das negociações entre os dois governos.

— Esperamos que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo. Embora não tenha sido possível alcançar um acordo, as negociações se intensificaram nos últimos meses e seguem sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas e a construção de uma agenda bilateral mais ampla. Esse esforço torna-se ainda mais urgente diante da probabilidade de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301 sobre trabalho forçado, que poderão elevar as sobretaxas sobre produtos brasileiros para até 37,5% — afirmou ao GLOBO.

A entidade também considerou positiva a exclusão de uma lista expressiva de produtos da sobretaxa, mas defendeu a criação de um mecanismo que permita novas exceções para itens cujas tarifas possam provocar impactos econômicos desproporcionais. Segundo a Amcham, a organização seguirá atuando para aproximar os setores público e privado dos dois países e apoiar iniciativas voltadas ao crescimento econômico, aos investimentos e à geração de empregos.