STF manda bloquear bens de Valdemar por suspeita em emendas irregulares

Defesa do presidente do PL disse que decisão foi baseada em “premissas frágeis", "inferências subjetivas” e indevida criminalização da atividade político-partidária

Reuters

Presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, fala à imprensa em Brasília, 23 de novembro de 2022. REUTERS/Ueslei Marcelino
Presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, fala à imprensa em Brasília, 23 de novembro de 2022. REUTERS/Ueslei Marcelino

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A ⁠Polícia Federal identificou indícios de que ⁠o presidente nacional do PL, Valdemar Costa ‌Neto, teria exercido influência irregular sobre a destinação de pelo menos R$ 119,2 milhões em emendas parlamentares, ‌mesmo sem exercer mandato eletivo, segundo decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino divulgada nesta sexta-feira.

Na decisão, Dino determinou o bloqueio de bens de Valdemar até o valor de R$ 119,2 milhões ⁠e ‌ordenou a suspensão da execução de despesas ⁠relacionadas às emendas citadas pela PF, que apura possíveis crimes de peculato-desvio e associação criminosa.

De acordo com a investigação, derivada da chamada Operação Transparência, deflagrada em dezembro de 2025, mensagens ​e planilhas encontradas no celular de uma servidora da Câmara dos Deputados indicariam a existência ​de um esquema informal para direcionar emendas parlamentares conforme interesses atribuídos a Valdemar. A PF afirma que os recursos eram formalmente registrados em nome de deputados, apesar de as indicações terem ‌origem em solicitações associadas ao ​dirigente partidário.

Segundo a polícia, ao menos 21 emendas teriam sido empenhadas ou pagas após serem encaminhadas com informações consideradas falsas sobre ⁠seus reais ​solicitantes. A ​PF sustenta que a prática teria servido para ‘escamotear’ o papel de ⁠Valdemar na definição dos destinos ​das verbas.

Dino afirmou em sua decisão que há ‘múltiplos indícios’ de que Valdemar, ‘sem exercer mandato parlamentar’, teria atuado ​recentemente como ‘mandante do (re)direcionamento de valores públicos’.

O magistrado rejeitou, por enquanto, pedidos de busca e ​apreensão e de ⁠quebra de sigilos formulados pela PF, mas concordou com o bloqueio ⁠patrimonial e com a suspensão da execução das emendas apontadas pelos investigadores.

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A defesa de Valdemar disse em nota estar surpresa com a decisão do ministro do STF, classificando-a como baseada em “premissas frágeis, inferências subjetivas” e em indevida criminalização da atividade político-partidária.

Os advogados Marcelo Luiz Ávila de Bessa e Thiago Lôbo Fleury afirmaram não haver provas de que Costa Neto tenha aderido conscientemente a esquema criminoso e destacaram que a Procuradoria-Geral da República era contrária às medidas.

A defesa criticou ainda a determinação de indisponibilidade sobre todo o patrimônio do investigado e reafirmou a inocência de Valdemar, informando que recorrerá judicialmente para reverter a decisão.​​​​​​​​​​​​​​​​

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