‘Fechou valor do Valdemar’: presidente do PL era tratado como líder na Câmara, diz PF

Investigadores dizem que o nome do presidente do PL era registrado como 'parlamentar solicitante' em planilhas de indicação de emendas mesmo sem mandato

Agência O Globo

O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, fala com a imprensa no Centro de Eventos e Convenções Brasil 21, em Brasília (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, fala com a imprensa no Centro de Eventos e Convenções Brasil 21, em Brasília (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

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Mensagens trocadas entre o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, e servidores da Câmara dos Deputados mostram que o chefe do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro mantinha uma atuação “típica” de líder da Casa, mesmo não sendo parlamentar. A afirmação é da Polícia Federal, que investiga Valdemar por ter indicado, indevidamente, 21 emendas parlamentares, totalizando R$ 119 milhões.

Em diálogos identificados pela PF, servidores da Câmara supostamente operacionalizam as indicações do presidente do PL. “Fechou o valor do Pres Valdemar?”, registra uma mensagem. “Pode colocar o máximo que der. Ele tá querendo Turismo”, diz outro registro.

Os diálogos foram destacados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens do presidente do PL – valor equivalente ao total de emendas que teriam sido indicadas pelo aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro. O ministro destacou como “espantosa” a ascendência de Valdemar entre alguns servidores da Câmara e pontuou que o presidente do PL não tem nenhum cargo que lhe permita “dispor do orçamento público”.

“Os espaços constitucionalmente permitidos às emendas parlamentares não degradam o Erário à condição de patrimônio privado, passível de aquisição, transação ou quotização entre as agremiações partidárias e seus dirigentes”, frisou.

(em atualização)