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Pressionado pelo apelo popular do fim da escala 6×1, a oposição bolsonarista enfrentou um revés na Câmara e precisou recalcular rota em meio à aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) em função de um cálculo eleitoral para evitar desgastes.
Após manifestações críticas ao texto ao longo dos últimos meses e tentativas de apresentação de contrapostas na véspera da votação, o partido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deu apoio majoritário à proposição, movimento que também abriu um novo ruído na campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL).
A proposta foi aprovada na quarta-feira no plenário com 472 votos favoráveis no primeiro turno, dos quais 83 foram de parlamentares do PL. Na segunda rodada de votação, os números foram, respectivamente, para 461 e 81.
Entre os que se manifestaram pela aprovação da PEC, estão nomes do núcleo duro do bolsonarismo, como Bia Kicis (DF), Nikolas Ferreira (MG), Carlos Jordy (RJ), André Fernandes (CE), Mario Frias (SP), Gustavo Gayer (GO), Eduardo Pazuello (RJ) e Marcos Pollon (MS). Os votos contrários se concentraram em parlamentares do PL do Sul, como Júlia Zanatta (PL-SC), Maurício Marcon (PL-RS), Caroline de Toni (PL-SC) e Bibo Nunes (PL-RS).
O aval dado pela sigla ao texto representou uma inversão na posição defendida até então por seus integrantes, críticos por considerá-la um ativo eleitoral para o presidente Lula, que o usará na campanha à reeleição.
A mudança de posicionamento, contudo, havia sido antecipada pelo presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, na segunda-feira, quando defendeu que o partido apoiasse a proposta.
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— Se nós não aprovarmos 6×1, o Lula ganha a eleição e, no ano que vem, faz 4×1. Nós temos que chegar ao poder e votar nas propostas que têm a maioria da população a favor. A maioria dos nossos deputados pensa desta maneira — disse em entrevista à CNN.
O grupo político, no entanto, trabalhou para impedir o andamento da discussão nos moldes defendidos pelo governo. No início do mês, integrantes do PL tentaram articular para que o período de transição para o novo regime de trabalho fosse de até dez anos. Já na véspera da votação, o líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou que a sigla apoiaria uma versão alternativa que prevê a redução da jornada de trabalho para 4×3, e não os 5×2 defendidos pelo Planalto.
“Agora queremos ver, quem diz defender o trabalhador terá a oportunidade de provar no voto”, escreveu Sóstenes em um post no X na terça-feira.
A ofensiva também foi replicada por Nikolas Ferreira que, em um vídeo publicado na mesma data, afirmou que defendia a discussão “de maneira séria e não populista, como a esquerda está fazendo”: “A discussão aqui, amigo, não é somente sobre escala não, é sobre salário e tudo que está em volta. Sabe por quê? Porque o governo do PT, ele criou esse problema, alimentou esse problema, quer lucrar politicamente com ele e agora se aparece como solução. Porque não adianta mexer em escala se você está num ponto de ônibus e o seu celular é roubado”.
A versão que previa a 4×3 foi defendida durante a sessão da Comissão Especial que votou o tema antes de ele ir a plenário. Ao ter as propostas negadas, Sóstenes acusou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de tratorar a discussão em benefício do presidente Lula.
No plenário, mesmo diante das tentativas de obstrução, o texto foi aprovado com os votos da maioria da bancada do PL. O movimento foi na contramão do posicionamento de Flávio Bolsonaro, pré-candidato da legenda ao Planalto. Antes de embarcar para os Estados Unidos, ele acusou o governo de “tentar vender uma solução fácil para a população” e afirmou que a proposição geraria “desemprego em massa”, “aumentaria o custo de vida” e “prejudicaria mais os trabalhadores do que ajudaria”.
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Integrantes da campanha de Flávio admitem que o episódio embaralhou o discurso do pré-candidato num momento em que o parlamentar tenta ampliar pontes fora do bolsonarismo e construir uma agenda econômica sem entrar em colisão direta com pautas populares. A avaliação interna é que o tema tem forte apelo popular e que o senador não poderia aparecer liderando uma resistência frontal à proposta.
Ao mesmo tempo, aliados avaliam que o PL não poderia aderir à pauta do governo e temem a capitalização por parte do Palácio do Planalto. Em resposta, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, apresentou uma PEC e tenta mudar a rota do debate no Senado. O texto propõe que empregados escolham entre o regime CLT e um modelo baseado em horas trabalhadas.
