Como organizo minha prospecção sem ser absorvido pelo operacional?

Essa pergunta nunca sai de moda. E a origem dela é quase sempre a mesma: não é falta de conhecimento técnico, é falta de ordem comercial

Bianca Juliano

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Semana passada, enquanto conduzia uma mentoria com um grupo grande de assessores de investimentos, um profissional levantou a mão e fez uma pergunta simples, sincera e muito comum:

“Bianca, eu sei prospectar. Sei fazer reunião. Sei atender. Mas como eu organizo isso na prática sem ser absorvido pelo operacional?”

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Essa pergunta nunca sai de moda. Porque a origem dela é quase sempre a mesma: não é falta de conhecimento técnico, é falta de ordem comercial.

Naquele instante, me lembrei exatamente de como eu fazia quando construí minha carteira do zero, na época em que atuava como assessora e usava palestras como uma das principais estratégias de prospecção.

Porque a verdade é dura, mas libertadora: se eu deixasse o dia correr sozinho, ele virava 90% operacional e apenas 10% comercial. Isso não é suficiente nem para sobreviver, muito menos para crescer.

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O que virou o jogo foi algo que ensino até hoje.

O comercial só existe quando está protegido na agenda. O operacional existe mesmo sem ser convidado.

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E é aqui que a maioria se perde.

1. A rotina que funcionava, e funciona até hoje

Na época em que eu atuava como assessora ativa, meus dias não eram divididos por acaso.
Cada dia tinha um propósito claro.

Essa divisão fazia algo essencial: Protegia o comercial da contaminação do operacional.

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2. Mas o detalhe que realmente fazia diferença eram os blocos dentro do dia de ligações

O “dia de ligação” não era um bloco único e genérico. Ele era dividido como um sistema, quase uma linha de produção comercial.

Bloco 1 – Continuidade após-palestra ou curso (que ministrava para educar e captar clientes)
Ligações para quem esteve na palestra do dia anterior.
O momento de ouro.
Quem te ouviu ontem ainda está quente hoje, ainda lembra de você, ainda sente o impacto da palestra, ainda está com a reflexão fresca na cabeça.
A regra era clara: palestra ontem, ligação hoje para agendar reunião de assessoria personalizada.

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Bloco 2 – Abertura de portas
Ligações para gerar alcance: parcerias, convites para palestra, conexões com clubes, empresas, associações e criação de novos espaços coletivos e escaláveis para captar.

Bloco 3 – Follow-ups estruturados
Quem avançou, quem pediu informação, quem ficou de pensar, quem está próximo do fechamento.
Follow-up não era aleatório. Era ritual.

Bloco 4 – Aquecimento do pipeline antigo
Prospects parados, relações semi-adormecidas, contatos que só precisam de contexto para reacender.

Esses quatro blocos garantiam algo que poucos assessores entendem: prospecção e atividade comercial não são sobre tempo disponível. São sobre tempo reservado.

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3. O problema de quem se perde não é falta de ação. É falta de ordem.

Quando me perguntam: “Bianca, por onde eu começo esta gestão?”

Eu respondo sem hesitar: pelo seu calendário.

Se o calendário não mostra dia de ligação, dia de reunião, dia de relacionamento, blocos de abertura de portas, blocos de follow-up e blocos claros de continuidade comercial, então não existe rotina comercial.

Existe sobrevivência operacional.

4. Priorizar é decidir o que entra, e também o que não entra

Essa separação é radical. E exatamente por isso, funciona.

O cérebro performa melhor quando a intenção é única. A qualidade aumenta quando as atividades são homogêneas. E a carteira cresce quando a rotina protege o que faz ela crescer.

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5. A pergunta que deixei para a turma, e deixo para você

Se eu abrir sua agenda hoje, consigo enxergar o seu comercial ou só as demandas?

Prospectar não é encaixar. Prospectar é decidir.

Agendar é decidir. Separar blocos é decidir. Criar dias temáticos é decidir. Avançar pipeline é decidir.

Crescimento é sempre consequência da decisão. Nunca do acaso.

Para encerrar

Então te deixo com a pergunta final:

Seu calendário protege o crescimento da sua carteira ou é o operacional que decide quem você será no fim do mês?

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Bianca Juliano

É especialista em vendas, assessoria de investimentos, atua como mentora, palestrante e é autora do livro “O Mínimo Esforço: o método de vendas que me levou à posição de sócia da XP Investimentos”.