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Após um mês de janeiro de fortes ganhos, perto de 40%, o Bitcoin (BTC) fecha fevereiro em queda de mais de 2%, negociado no final da tarde desta terça-feira (28) a US$ 23.200. Os ganhos no ano, no entanto, ainda ficam na casa dos 39%.
O resultado negativo vem na esteira de uma maior preocupação de investidores em torno da duração do período de juros altos nos Estados Unidos, especialmente após indicadores econômicos mostrarem a persistência da pressão inflacionária, especialmente sobre o setor de serviços.
Apesar disso, o desempenho mês é visto até como positivo, dado que muitos analistas esperavam por um período de correção mais forte após a alta de janeiro – até agora, apesar de quedas pontuais, os ganhos de 2023 permanecem majoritariamente intactos.
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Na visão de especialistas, embora um recuo maior ainda possa vir pela frente, são cada vez menores as chances de o Bitcoin revisitar os patamares vistos em novembro do ano passado, quando a FTX entrou em colapso e arrastou as criptos para o que é agora visto como o fundo do poço deste ciclo de mercado.
“Os criptoativos continuam a avançar em passos gigantes mesmo durante os momentos de queda do mercado. E cada mercado em alta que se segue é um reconhecimento dos importantes desenvolvimentos da indústria, à medida que o interesse e a compreensão deste espaço crescem”, comenta o CEO da Hashdex, Marcelo Sampaio, em mesa redonda promovida neste mês entre executivos da gestora.
“Assim, eu permaneço muito otimista em relação a 2023, mesmo em um cenário econômico ainda desafiador”, afirmou Sampaio.
Após subir menos que o Bitcoin em janeiro, o Ethereum (ETH) tentou recuperar o tempo perdido nos últimos dias de fevereiro aproveitando o embalo de uma nova atualização esperada para o final de março, chamada Shanghai.
A segunda maior cripto do mundo chegou a subir frente ao BT na última semana, mas o movimento perdeu força no fechamento do mês, fazendo o ETH fechar o período com uma leve perda de 1,2%.
A atualização terá como principal novidade a liberação de ativos travados desde dezembro de 2022 no mecanismo de renda passiva nativo do protocolo, chamado de staking. Por liberar mais ativos no mercado, o evento era visto como negativo, mas aos poucos foi começando a ser apontado como neutro ou possivelmente positivo.
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A tese gira em torno do maior acesso, após a atualização, ao staking de Ethereum, que ainda é evitado por players institucionais pela impossibilidade de sacar recursos e rendimentos do protocolo. Isso, em tese, mudará a partir do fim de março.
Assista: O que é o Ethereum Shanghai e quais tokens podem subir com nova atualização
Outras criptos entre as mais valiosas do mercado registraram queda no acumulado do mês, como foram os casos de BNB, XRP, Cardano (ADA) e Dogecoin (DOGE), com perdas de 4,9%, 8,4%, 10,8% e 10,2%, respectivamente.
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Mas, apesar do mês vermelho para as principais criptos, várias moedas desconhecidas surgiram e acumularam alta de até três dígitos – mostrando que o mercado cripto, apesar do momento ruim, segue impressionando pela alta oportunidade de ganhos para quem topa assumir alto risco.
Confira o desempenho das principais criptomoedas em fevereiro (até às 18h30 do dia 28):
| Criptomoeda | Preço | Variação |
| Bitcoin (BTC) | US$ 23.203 | -2,19% |
| Ethereum (ETH) | US$ 1.617 | -1,26% |
| Binance Coin (BNB) | US$ 311 | -4,87% |
| XRP (XRP) | US$ 0,4036 | -8,40% |
| Cardano (ADA) | US$ 0,389 | -10,80% |
Maiores altas de fevereiro
A criptomoeda com melhor resultado do mês foi a novata e desconhecida Conflux (CFX), espécie de rival do Ethereum que registrou alta de 216% em fevereiro – no ano, o token CFX já sobe mais de 800%.
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O ativo, que até recentemente não estava no radar do investidor, disparou em meio à uma nova narrativa que ganhou força na comunidade cripto sobre a suposta volta de investidores chineses ao setor – a Conflux tem origem na China.
A China, vale lembrar, vem de uma campanha contra as criptos que se intensificou em 2021, com a proibição da mineração de criptos, e depois com o reforço do banimento de exchanges do país. Cidadãos chineses podem ter ativos digitais, mas empresas não podem oferecer negociação em território chinês.
Investidores começaram a ter uma perspectiva de mudança desse cenário após Hong Kong aventar a possibilidade de liberação do trade de criptos para investidores de varejo, algo que hoje é proibido por lei. Apesar de ainda não haver algo em concreto, parece ter sido o suficiente para surgir motivo para disparada de “tokens chineses” – com o CFX navegando melhor o momento.
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Logo atrás veio o Stacks (STX), token de uma plataforma que subiu quase 200% em fevereiro na esteira de uma nova “febre” de NFTs criados na rede do Bitcoin – normalmente, esse tipo de ativo digital é emitido no Ethereum.
Outro destaque foi o SingularityNET (AGIX), com alta de 169% no mês aproveitando o crescimento repentino do interesse por soluções de Inteligência Artificial (IA). O SingularityNET é um marketplace de soluções de IA, no qual o token AGIX é usado como moeda de transação.
As criptomoedas com as maiores altas de fevereiro (até às 18h30 do dia 28):
| Criptomoeda | Fechamento do mês | Variação |
| Conflux (CFX) | US$ 0,20 | +216,10% |
| Stacks (STX) | US$ 0,87 | +199,10% |
| SingularityNET (AGIX) | US$ 0,50 | +169,20% |
| ssv Network (SSV) | US$ 41,13 | +139,90% |
| Floki (FLOKI) | US$ 0,00004758 | +118,50% |
Maiores quedas de fevereiro
Várias criptomoedas caíram mais que BTC e ETH em fevereiro, mas a amplitude das perdas foi menor do que na média de 2022 – e ficaram bem atrás das altas de CFX, STX e outros tokens ganhadores do mês.
O pior resultado foi da Aptos (APT), uma criptomoeda que vinha de forte alta em janeiro e, mesmo após correção de 34%, ainda acumula alta de 235% em 2023. A Aptos é outra rival do Ethereum que promete uma tecnologia inovadora aliando segurança e rapidez, e que teve forte apoio de fundos do Vale do Silício para vir à tona.
Na sequência aparece a Trust Wallet Token (TWT), com queda de 27%, seguida de diversas criptomoedas como Decentraland (MANA) e Axie Infinity (AXS), com perdas em torno de 20%, refletindo a desaceleração dos investimentos no setor de metaverso.
As criptomoedas com as maiores baixas de fevereiro (até às 18h30 do dia 28):