Publicidade
SÃO PAULO – O papel da Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP) não é controlar os preços, mas, sim, monitorá-los. Pelo menos foi isso o que afirmou o diretor-geral da própria entidade, Haroldo Lima, em audiência pública realizada nesta quarta-feira (11) na Comissão de Minas e Energia, da Câmara Federal.
Conforme Lima, de qualquer maneira, algumas resoluções da agência interferem nos preços. Como exemplo, ele citou a Resolução 36/05, que obriga a adição de corante ao álcool de forma a reduzir a adulteração do produto e, conseqüentemente, diferenças de preços praticados.
No bolso
O debate foi solicitado por conta da diferença de comportamento de valores empregados a distribuidores e a motoristas. Dados da própria ANP mostram que o litro do combustível, após oscilar no primeiro semestre, ficou em R$ 1,513 em junho, apenas 1,27% a mais do que no final de novembro (R$ 1,494), último mês antes do início da entressafra de cana-de-açúcar.
Por outro lado, levantamento do Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea) mostra que, no mesmo período, o produto ficou 22,33% mais barato ao distribuidor, chegando a R$ 0,57985 o litro em 22 de junho. Dessa forma, a queda de valores não foi repassada ao motorista.
Usinas
O diretor-geral da entidade explicou ainda que, no ano passado, cerca de dez usinas entraram em operação no País. Para este ano, estão previstas 28 novas usinas e, até 2010, outras 89. Os investimentos totais são estimados em US$ 14 bilhões (mais de R$ 26 bilhões).
Segundo ele, há muito álcool no mercado e recentemente os Estados Unidos ultrapassaram o Brasil na produção anual, alcançando 20 bilhões de litros, enquanto a produção brasileira é de 17 bilhões.
Continua depois da publicidade
Contudo, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de álcool deste ano terá o maior volume da história, com 20,01 bilhões de litros, resultado 14,54% superior ao da última safra. Destes, 10,6 bilhões de litros serão de álcool hidratado (usado como combustível), 9,35 bilhões de litros de anidro (misturado à gasolina) e o restante do tipo neutro.
Composição
Por fim, Lima explicou que o Brasil é o campeão na participação de álcool na matriz energética. O preço do álcool combustível no varejo, informou, é composto pelo preço do produtor (63,9%), por impostos (19,3%) e por componentes fixos (16,8%), que são formados por salários, energia elétrica, fretes etc.
Com Agência Senado