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Cortes de juros não acabaram: BC deixa porta aberta para Selic ir a 6,75%

Comunicado do Copom sinalizou uma nova redução dos juros, mas analistas ainda não cravam próximo movimento do Banco Central

SÃO PAULO - Após cortar a Selic para seu menor nível na história, o Banco Central manteve a porta aberta para um novo corte do juro no início de 2018. A sinalização ficou bem clara no comunicado da autoridade monetária divulgado junto com a decisão desta quarta-feira (6).

"Para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme esperado, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização, o Comitê vê, neste momento, como adequada uma nova redução moderada na magnitude de flexibilização monetária", diz o documento.

Segundo o Goldman Sachs, em relatório assinado pelo economista-chefe
Alberto Ramos, a comunicação do BC sugere um corte de taxa de 25 pontos-base, para 6,75%, na reunião de fevereiro e, ao mesmo tempo, sinaliza que uma nova redução de 50pbs está fora dos planos.

Por outro lado, ele reforça que o guidance do Copom para a próxima reunião está longe de ser um compromisso certo. Segundo Ramos, o BC está oferecendo alguma orientação, mas ao mesmo tempo preservando a opção de não cortar os juros na reunião de fevereiro.

A Rosenberg Associados, por sua vez, afirma que "dado o estágio do ciclo e as incertezas (previdência, plano tributário nos EUA, etc), naturalmente [o BC] busca preservar graus de liberdade para fazer mais um corte de 50 pontos-base, prolongar um pouco mais o ciclo com dois cortes de 25 pontos".

Apesar de indicar que pode cortar o juro, o BC reconhece que a indicação para a próxima reunião "é mais suscetível a mudanças na evolução do cenário e seus riscos que nas reuniões anteriores". Para as decisões posteriores à reunião de fevereiro de 2018, o Copom diz que "entende que o atual estágio do ciclo recomenda cautela na condução da política monetária".

Já Raphael Figueredo, sócio-analista da Eleven Financial, além de também acreditar em um corte de 25 pontos-base na Selic de fevereiro, avalia que a "reforma da previdência incerta dificulta," mas comunicado do Copom deve ter impacto positivo na bolsa na abertura desta quinta-feira.

Ilan Goldfajn
(Lula Marques/Agência PT)

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