Em mercados

O fator-chave para acreditar que o Brasil ficará na 'era dos juros baixos' por muito tempo

Para Rodrigo Azevedo, sócio-diretor e gestor da Ibiuna Investimentos, inflação seguirá controlada nos próximos anos e isso dá suporte para acreditar na manutenção da Selic na mínima histórica

SÃO PAULO - Foi inciada nesta terça-feira (5) a última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do ano e sua definição, no final de tarde da próxima quarta-feira (6), será um marco para a economia brasileira, pois pela primeira vez veremos a Selic em 7% ao ano, cravando o décimo corte seguido na taxa básica de juros. Contudo, esse evento histórico já está amplamente precificado e o mercado aguarda mesmo os próximos passos do BC para responder uma pergunta: viveremos (finalmente) um período de juros em níveis estruturalmente baixos?

Para Rodrigo Azevedo, sócio-diretor e gestor da Ibiuna Investimentos, o Brasil vai passar por um bom período com taxas de juros baixas e as expectativas de uma inflação comportada para os próximos anos, um dos principais drivers para a condução da política monetária doméstica, corroboram para este cenário favorável para a Selic. Em debate promovido pela Bloomberg entre os membros do Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da Anbima nesta terça-feira, Azevedo aponta pelo menos 3 fatores para justificar essa perspectiva benigna para o ritmo dos preços:

1) Recuperação lenta da economia: apesar dos sinais positivos vindo do PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre (veja mais aqui), principalmente do lado do investimento, a recuperação da economia brasileira será gradual, com expansão de 2,5% (em linha com o último Relatório Focus) em 2018. De acordo com Azevedo, o nível de ociosidade da economia seguirá alto, assim como a taxa de desemprego, o que limita um avanço da inflação pelo lado da demanda.

2) Dólar não será um problema: componente importante do lado do custo de produção, a divisa norte-americana não deve ser um problema em 2018, prevê o gestor da Ibiuna Investimentos, já que temos uma balança de pagamentos positiva, principalmente do lado das importações e exportações, que entre janeiro e novembro atingiu o maior superávit comercial da história em US$ 62 bilhões, como um cenário externo ainda bastante favorável em termos de política monetária.

3) Sinalizações do BC: além disso, ao contrário dos últimos anos, o Banco Central conseguiu ancorar as expectativas de inflação, como uma comunicação clara com o mercado, o que ajuda na tomada de decisões dos agentes.

Mercado comprou essa ideia?
Apesar dessa expectativa de uma inflação controlada, o que favorece a manutenção da taxa de juro em níveis historicamente baixos, os juros futuros mais longos não refletem todo esse otimismo: "atualmente, a curva de juros no mercado futuro de DI sinaliza uma alta da ordem de 400 pontos-base até 2020, bem acima da previsão dos economistas", revela Azevedo, que justifica essa discrepância de expectativa pelos receios com as condições fiscais do governo, em especial se haverá continuidade da agenda de reformas.

"A situação da economia vem numa trajetória de deterioração que se aprofundou nos últimos anos e exige medidas drásticas, que vêm sendo implementadas. Porém, os ajustes feitos foram diferidos ao longo do tempo e precisam ter continuidade", defende o gestor da Ibiuna Investimentos.

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