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Zerou bolsa americana e comprado em Brasil: veja como está o fundo XP Macro

Bruno Marques também explicou por que está comprado no câmbio brasileiro e por que a renda fixa americana segue como forte posição

(CONDADO DA FARIA LIMA) – No Coffee & Stocks desta quarta-feira (28), recebemos Bruno Marques, um dos gestores do fundo XP Macro. Ele explicou por que a gestora zerou a posição em bolsa americana e mantiveram em bolsa brasileira (mas trocaram parte dessa posição para ficar comprado no real contra o dólar) e por que está “tomado” em juros tanto aqui mas principalmente nos EUA (tomado em juros = apostando que a curva de juros vai subir).

Confira no vídeo acima a entrevista completa ou direto em nosso canal no Youtube (link aqui).

Abaixo, os melhores trechos da entrevista:

Cenário internacional: a vacinação voltou a andar bem na Europa, mesmo nos países que estavam enfrentando problemas e no Reino Unido os dados de óbito começaram a cair muito forte, indicando que talvez a Delta não seja tão forte assim. Isso seria o “normal”, pois o vírus costuma evoluir para ser mais transmissível e menos mortal. Já nos EUA: a taxa de juros bateu mínima histórica, isso não é muito duradouro. Discurso do segundo semestre deve ser de retirada de estímulos.

Brasil: economia pujante e vacinante, o “risco” hoje é de crescer 6%. Sobre vacinação, nós da XP Asset levamos muita porrada de políticos em fevereiro quando soltamos o estudo falando que população adulta estaria vacinada até setembro. Hoje, felizmente está claro que vai até sobrar vacina no final do ano.

Bolsonaro colocou um novo risco na mesa ao falar de um valor muito maior pro Bolsa Família, vai ser difícil espremer isso para colocar dentro do teto de gastos.

Nosso maior risco é político mas estamos um pouco mais preocupados com inflação. Selic pode terminar o ano em 7,5%/8% e em março pode chegar a 8%/8,5%. Inflação de serviços está subindo muito forte ao mesmo tempo que a inflação de bens industriais não caiu, isso pode provocar uma “mini tempestade perfeita” por aqui.

POSIÇÕES: Tínhamos posições em ações americanas, especialmente techs, mas de um mês pra cá zeramos isso. Achamos que as expectativas estavam muito altas. Além disso, inflação segue persistente e devemos começar discussão de retirada de estímulo. Hoje a treasury de 10 anos está -1%, ou seja, a bolsa está andando muito por essa renda fixa negativa. Se esse rendimento subir para zero, a bolsa não fica tão barata.

Já aqui no Brasil, esse mesmo raciocínio do juro vs prêmio pelo risco é favorável para bolsa, porque o juro aqui já está subindo e mesmo assim o Prêmio Pelo Risco está bem mais alto do que a NTN-B. Contudo, trocamos uma parte do risco em bolsa brasileira pra câmbio (comprado em real vs dólar). Se o juro for pra 7,5% o Brasil terá o maior carrego do mundo e o câmbio deve ter um pouco de espaço pra andar mesmo com o risco político.

Mantemos posição tomada em juros nos EUA. Também estamos tomados em juro chileno.