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Um dia de cada vez: os segredos do fundo Vinci Atlas para enfrentar a crise

Fernando Lovisotto, CIO da Vinci Partners, revela quais estratégias o fundo usou para se proteger da crise até aqui e o que espera do mercado

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SÃO PAULO – Diversificação e controle de risco. Para Fernando Lovisotto, CIO da Vinci Partners, foram essas as preocupações que fizeram com que o fundo Vinci Atlas tivesse um desempenho notável em relação ao Ibovespa em março.

Enquanto o principal índice da bolsa brasileira encerrou o mês acumulando queda de 29,90%, o fundo Vinci Atlas teve um retorno de 2,8%.

No Coffeee & Stocks desta quinta-feira (9), Lovisotto deu detalhes sobre as operações que garantiram o bom desempenho ao fundo, apesar da turbulência no período.

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“Soubemos reduzir as apostas na bolsa desde fevereiro e os books de hedge [proteção] acabaram funcionando. Tínhamos venda de S&P500 com put (opção de venda), venda de Ibovespa com put e dólar”, conta Lovisotto, acrescentando que essa combinação fez com que o fundo acumulasse um retorno de 16% nos últimos 12 meses.

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Segundo ele, o fundo costuma operar em uma faixa de volatilidade que oscila entre 6 e 8%, patamar que oferece, em sua avaliação, uma razão risco/retorno interessante.

“Foi a questão da diversificação junto com um controle de risco bem rígido que fez com que o fundo se destacasse no mês de março. Desde o dia 20, estamos com book de hedge zerado, mas os fundos de bolsa estão com exposição bem pequena. Estamos trabalhando com volatilidade de 1% e ficamos estudando agora qual a melhor hora de ir para o ataque”, contou Lovisotto.

Durante a conversa, ele disse que o fundo deve aumentar aos poucos sua posição no mercado de ações, conforme o cenário econômico se torne mais claro.

“Já chegamos a ter 25% de Bolsa no fundo. Por enquanto não estamos comprando Bolsa, porque o nível de incerteza continua muito alto. O VIX, por exemplo, está em 45%, sendo que na média ele fica próximo de 15%. Ou seja, ainda tem muita incerteza no mercado”, disse.

“O passado já foi”

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O analista Thiago Salomão perguntou a Lovisotto se a proximidade da Vinci Partners com o mercado de private equity é um vetor para a cautela adotada pelo fundo. O CIO confirmou, justificando que esse ecossistema permite ter um panorama geral de como estão as empresas como um todo.

“Conseguimos entender se os programas de auxílio do governo estão chegando até as pequenas e médias empresas e saber como está a saúde de cada uma delas. É importante estarmos atentos a isso para sabermos se elas vão sobreviver e poder prever os impactos da crise na taxa de desemprego daqui para a frente. No final, nós ficamos muito próximos de saber como está a economia real”, explicou.

Embora tenha passado com mais tranquilidade pela tempestade do último mês do que outros gestores, Lovisotto nega que isso lhe dê qualquer vantagem competitiva daqui para frente.

“Vivemos um dia de cada vez. Estamos sempre buscando construir aquela melhor alocação hoje que será a alocação vitoriosa do amanhã. O passado já foi, não há nada que a gente possa fazer para mudá-lo. O que nós fazemos é aprender com ele, mas, de agora para a frente, é outro jogo”, afirmou.

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