Professor da NYU esteve na Verde Week na quinta-feira.

Para professor da NYU, Amazon faz dumping, mas é um excelente investimento

“Há décadas onde nada acontece e há semanas onde décadas acontecem”

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(Shutterstock)

O professor de marketing na Universidade de Nova York Scott Galloway esteve na Verde Week para mostrar que: mudanças estruturais provocadas pela pandemia exigiram adaptações e não permitirão que nada seja 100% como antes. Crítico das Big Techs (maiores empresas de tecnologia do mundo), ele realizou uma apresentação e fez comentários em live realizada pela Verde Asset, que abordou o tema “ Tecnologia e Consumo Pós-Corona” e foi mediada pelos gestores João Julião, Thiago Harada e Daniel Campion.

Segundo Galloway, a covid-19 serviu como grande “acelerador” para importantes mudanças no perfil de consumo e no mercado de e-commerce. “Há décadas onde nada acontece e há semanas onde décadas acontecem”, disse, citando Vladimir Lênin.

Em um dos gráficos apresentados, ficou claro que o crescimento da penetração do e-commerce nos EUA cresceu: em oito semanas atingiu o patamar de 25%, muito mais representativo do que os 15% da última década inteira.

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A mudança no perfil de consumo, aumento do delivery, maior investimento do público em suas próprias residências, trabalho remoto, foram motivos para alavancar esse crescimento e consolidar uma mudança estrutural no comportamento dos consumidores. Galloway disse acreditar que esse movimento vem para ficar e os hábitos não voltarão a ser como antes, independentemente do segmento.

O professor sinaliza também mudanças para as Big Techs que viram a pandemia como uma “oportunidade”. Segundo ele, a Amazon será a empresa que mais crescerá no mundo, considerando sua saúde financeira, já as ações da Apple devem valorizar de 20% a 30%. Airbnb deve ser tornar mais valiosa que a Uber e a AWS (serviços de web da Amazon) será a empresa mais valiosa em 2025.

Tudo o que não se adaptar vai “respirar por aparelhos”. A questão não é mais “onde você vai estar daqui dez anos?” e sim “onde você vai estar daqui a oito semanas?”.

Números que impressionam, mas um alerta que surge

Segundo Galloway, a competição das Big Techs é injusta. São praticamente “monopólios não-regulados”, que se fortalecem com processos que, segundo ele, são como dumping.

“Nos anos 80, os chineses decidiram consolidar o mercado global de aço, foram para os EUA e precificaram o aço abaixo do preço de produção para tentar tirar as empresas do mercado e consolidar o setor. Naquela época chamamos isso de ‘dumping’. Quando a Amazon faz a mesma coisa chamamos de ‘inovação’.” disse Galloway.

O professor ainda fez um aviso para nós: “Se a Amazon vier com mais força para o Brasil, eu encorajaria seus reguladores a fazer as perguntas: isso é mesmo competição? Isso é mesmo inovação?”

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Aliás, todos os anos, nos últimos 12, Galloway veio para Brasil e disse entender os desafios do e-commerce por aqui. Principalmente do ponto de vista tributário e logístico. Ainda brincou que, além de negócios, tentava surfar em Floripa.

Como ele mencionou, as “fortalezas” da Amazon e destas Big Techs vem de praticas muito parecidas com dumping. A competição é desleal e não é saudável para o ecossistema econômico do Brasil.

Alerta que também é estratégia de investimento

Galloway diz investir justamente nessas companhias, esses “monopólios não-regulados”. Possuem margens altas, custos baixos e são a tendência do futuro.

Para o professor, são justamente esses investimentos que fizeram com que ele pudesse morar na praia atualmente.