Stock Pickers

Como e por que os fundos de previdência estão se tornando cada vez mais stock pickers

Com mudança nas normas, gestoras independentes entram cada vez mais no mercado de previdência.

Aprenda a investir na bolsa

 

Jamais imaginei que este programa falaria de um tema como previdência privada. Mas a realidade é que esse produto, antes visto apenas como algo para ultraconservadores que gostariam de guardar um dinheiro pensando na aposentadoria ou nos filhos, hoje se tornou um produto tão competitivo quanto os fundos de investimentos tradicionais.

Justamente por isso eles ganharam um capítulo na coleção de episódios do Stock Pickers.

Em 2015 houve a primeira grande mudança, quando estes fundos puderam aumentar a exposição em renda variável de 49% para 70% para investidores tradicionais e até 100% pra investidores institucionais.

Em 2019 vieram outras duas grandes mudanças importantes: aumento de exposição cambial e maior flexibilidade para alavancagem.

Quer receber a Newsletter do Stock Pickers? Preencha o campo abaixo com seu nome e seu melhor email

Essas mudanças fizeram com que fundos de previdência tivessem uma correlação muito alta com os fundos “normais” de mesma estratégia (em outras palavras: um fundo previdência pode ter uma rentabilidade bem parecida com a de um fundo tradicional). E por isso mesmo as gestoras começaram a entrar cada vez mais nesse mercado

Os números desse mercado assustam pela grandeza: até metade deste ano, R$ 984 bilhões estavam aplicados em fundos de previdência. Desse montante, R$ 750 bilhões estão nas mãos dos grandes bancos, Brasil Prev, Bradesco e Itaú. E sendo bem direto ao ponto, sabemos que o forte dos grandes bancos não é entregar produtos rentáveis e baratos para seus clientes.

Isso fica muito claro olhando os maiores fundos de previdência do Brasil: três de renda fixa da Brasil Prev tem juntos mais de R$ 100 bilhões de reais de patrimônio, E nenhum deles conseguiu entregar uma rentabilidade acima do CDI em toda sua história. Atualmente o retorno deles está entre 83% e 95% do benchmark.

E o pior: a taxa de administração deles está entre 0,8% e 1,5% ao ano. Já ouviu falar daquele time de futebol que busca contratar jogadores da categoria “bom e barato“? Pois é, estes fundos estariam na categoria ruins e caros.

Algumas semanas atrás, fui convidado pela XP para participar de um debate sobre visões de mercado dentro de um evento focado em previdência. No palco comigo, estavam José Rocha da Dahlia, Frederico Sampaio da Franklin Templeton, e Reginaldo Lima, da Vinland.

Os três são gestores de grandes assets que criaram fundos de previdência após essa flexibilidade gerada pela regulamentação. Eles explicaram como estão atuando nesta nova frente.