Selic

AZ Quest já vê Selic a 1,75% ao ano

Sergio Silva, gestor da casa acredita em um corte de 75 pontos na reunião de 17 de junho e outros 50 pontos na reunião seguinte.

Se pensar em uma taxa Selic de 3% ao ano já era algo inimaginável há seis meses, acreditar que ela pode vir abaixo de 2% parece mentira. Ainda mais quando falamos de Brasil, país no qual sempre nos deparamos com taxas de juros altíssimas e muito distantes da realidade global.

No caso da AZ Quest é uma realidade plausível, segundo Sergio Silva, gestor de juros da casa. Em entrevista ao Thiago Salomão, no Coffee Stocks desta quinta-feira, Silva revelou que a gestora revisou ontem sua expectativa para os juros de 2,25% para 1,75% ao ano já em 2020.

Antes de chegar na AZ Quest, Silva passou pela mesa de juros da GAP (do fundador Renato Junqueira que já participou de nosso café matinal) e passou oito anos operando juros no Citibank e Merryl Lynch. Tendo sido criado nos juros, Sergio contou para nós tudo o que a AZ Quest está fazendo no mercado de juros e o resumo do papo você pode conferir abaixo.

“Revisamos a taxa Selic para 1,75% ao ano”

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O mercado de juros é um dos mais líquidos e também um dos mais importantes. Os juros saíram de 14,25% em 2016 e estão caindo até hoje, uma queda direcional muito forte. Conseguimos enxergar esse grande movimento e essa posição foi muito importante para o fundo ao longo desses 5 anos. Ainda ontem revisamos a taxa Selic para 1,75% ao ano, ante a projeção anterior de 2,25%. Acreditamos em um corte de 75 pontos na reunião de 17 de junho e outros 50 pontos na reunião seguinte. Não descartamos a possibilidade do Banco Central ser, inclusive, mais agressivo na próxima reunião.

O dólar já não está flertando com os R$ 6,00, e inclusive tem se enfraquecido lá fora. O sentimento global melhorou bastante com a reabertura gradual de muitas economias e por enquanto as surpresas de atividade são mais positivas do que negativas. Muito provavelmente teremos taxas de juros baixas por mais tempo no mundo todo até pelo fato de ainda não sabermos os reais efeitos da pandemia sobre as empresas e o estrago que ela causou ou ainda pode causar.

Olhando para a possibilidade de juros abaixo de 2% aqui no Brasil, a verdade é que já estávamos com problemas de retomada de crescimento antes da pandemia. No início do ano, tínhamos projetado 2,5% a 3% de crescimento e antes da pandemia já estávamos revisando nosso cenário para 2%, dado que a economia já vinha dando alguns sinais de que não cresceria conforme o esperado. Naquele momento já havia a chance do BC continuar cortando juros. Após a pandemia, o mundo inteiro passou a discutir flexibilização monetária e injeção de estímulos monetários o que tornou esse cenário de queda de juros mais óbvio. A inflação está muito fraca e o próprio recuo do dólar afasta a possibilidade de aumento de preços.

Efetivamente nós tivemos uma injeção muito forte de dinheiro nos mercados. O Banco Central olha bastante fluxo e ontem nós tivemos uma demanda recorde de colocação no tesouro, de quase 6x maior do que a oferta. Isso mostra que, em um mundo de taxa de juros baixa e com muita liquidez, se o Brasil fizer a lição de casa o dinheiro vai chegar para os emergentes. Se o BC cortar o juros de maneira mais agressiva, podemos até ver o real se desvalorizando, mas estamos muito mais atentos para a sustentabilidade fiscal e crescimento do Brasil a partir de 2021.

Principais posições da carteira

Preferimos explorar a parte curta da curva de juros. Operamos os juros futuro até 2022/2023 no máximo e enxergamos oportunidade no DI futuro jan/2021. Estamos operando também no mercado de opções com estratégias direcionais, mas diminuindo o risco do fundo via proteções de perda limitada. Uma proteção que fazemos quando o mercado estressa é ficar tomado [acreditando na alta] nos juros para 2025. Em outras palavras, preferimos operar o horizonte de curto prazo da taxa de juros e temos usado a parte longa da curva como hedge.

A carteira do fundo está conservadora em bolsa, comprada em dólar e aplicado em juros há bastante tempo.

O grande risco para o mercado

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Coincidentemente eu estava vendo um vídeos das pessoas voltando a circularem nas ruas de Paris e muitos estavam sem máscaras e já amontoados. O risco de uma segunda onda do vírus me preocupa muito por conta do montante de esforços que já foram feitos para conter a primeira onda e que talvez não existiriam em uma segunda onda.

 

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Uma publicação compartilhada por Stock Pickers (@stockpickers_) em 4 de Jun, 2020 às 3:49 PDT

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