Stock Pickers

5 lições valiosas da crise para o investidor de ações

Confira o que gestores, analistas e investidores estão fazendo com suas carteiras agora. E o que você pode aprender com eles

Se não foram muitos os investidores que viram seu patrimônio crescer nas últimas semanas, ninguém pode reclamar dos aprendizados que a crise trouxe até aqui.

No final do mês passado, o Stock Pickers lançou seu novo quadro, o Coffee & Stocks, com conversas matinais entre o analista Thiago Salomão e alguns dos principais nomes do mercado financeiro.

Gestores, analistas e investidores contaram como estão vendo o caos do mercado nas últimas semanas, e revelaram as mudanças que fizeram em suas carteiras para se adaptar à nova realidade.

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Mais do que isso, eles deixaram algumas lições valiosas para os investidores que querem chegar ao fim da tempestade mais fortes do que entraram. Confira a seguir algumas delas.

1. Conheça suas empresas — e olhe para o futuro

É em momentos de pânico nos mercados que o investidor precisa saber por que comprou as ações que compõem seu portfólio. Entender a dinâmica de cada setor, estudar a solidez do negócio e saber quem está pilotando o avião na tempestade é crucial para saber se ele chegará com combustível do outro lado.

Por isso, André Ribeiro, gestor do Brasil Capital e primeiro convidado do programa, fez questão de conversar nos últimos dias com representantes de todas as empresas em que o fundo investe.

Segundo ele, 70% dos recursos da carteira estão alocados em empresas de serviços essenciais — cuja demanda deve sofrer menos na crise — e que possuem caixa robusto. São os casos, por exemplo, de Cosan, Rumo, Alupar, Energisa e Eneva.

Mesmo no caso de empresas de consumo discricionário, o gestor acredita que alguns papéis foram penalizados demais pelo mercado.

São os casos da Yduqs, cujo diferencial competitivo estaria em sua frente de educação a distância, e da seguradora Sul América, que, em sua avaliação, deve sofrer menos com o aumento de custos do que os investidores têm estimado. “O mercado precifica um aumento dos sinistros, porém discordamos disso” diz.

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Ribeiro acredita que a maior parte do valor das empresas está na perpetuidade, isto é, em horizontes mais distantes de tempo. Por isso, aquelas que resistirem ao cenário difícil devem ser premiadas pelo mercado no futuro. “Isso vai voltar e, com o tempo, o valor de mercado delas vai se equiparar ao valor das companhias”.

2. A irracionalidade dói, mas traz oportunidades

Até um certo ponto, o tombo do Ibovespa foi reflexo da deterioração dos fundamentos das empresas. Mas uma “crise de sentimento” dos investidores fez com que o mercado entrasse em uma corrida para o fundo (race to the bottom, no inglês), perdendo qualquer respaldo da realidade.

A opinião é de Luiz Aranha, gestor da Moat Capital, que acredita que o mercado entrou em uma espiral de pessimismo. “As quedas foram assustadoras. Porém a volatilidade vai passar e as empresas ficam”, afirma.

Nesse cenário, segundo ele, surgiram grandes oportunidades na Bolsa, motivo pelo qual o fundo ampliou o número de ações na carteira — de 25 para 35 — e está 100% comprado. O fundo se desfez de algumas posições no setor bancário e comprou ações de energia e construtoras, por considerá-las mais descontadas.

“Eu nunca vi um mercado tão barato. Obviamente que não foi fácil, a perda foi muito grande. Mas as pessoas colocaram no preço uma depressão muito profunda, sendo que a probabilidade disso acontecer é muito baixa.”

3. Nunca (e principalmente agora) aposte em um só cavalo.

Embora haja empresas baratas no horizonte, o cenário permanece nebuloso. Por isso, apostar todas as fichas em poucos papéis agora pode ser uma estratégia imprudente.

A avaliação é de Gustavo Heilberg, gestor da HIX Capital, que também aumentou o número de ativos na carteira do fundo de ações da casa.

“É mais fácil achar o que você quer comprar do que o contrário. O risco de concentrar e apostar em um cavalo ainda não compensa. Faz sentido essa diversificação um pouco maior do que é comum”.

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O gestor conta que o fundo adotou duas medidas importantes na última semana. A primeira foi desinvestir de negócios com alavancagem elevada que corram risco de sobrevivência. A segunda foi gastar o caixa para aproveitar o maior número de oportunidades possível.

“Estamos mais diversificados do que costumamos ser. Normalmente o fundo chega a ter 20% em uma posição. Hoje, nossa maior está com 10%, e estamos com quase 30 posições.”

As três maiores posições do fundo são Eneva, AES Tietê e Camil.

4. Quando a crise vem, o governo precisa estar lá

Apesar de ter caído mais de 30% desde o início do ano, o Ibovespa mantém uma curva de alta de cerca de 8% em abril. Para Fernando Ferreira, chefe de análise da XP, a forte recuperação teve como pano de fundo a resposta mais incisiva de autoridades monetárias e governos de diferentes países.

“Em 2008 deixaram os bancos quebrarem, e isso exacerbou demais a crise. Hoje essa discussão já passou, e está muito claro para os governos que não dá para deixar as empresas quebrarem, porque o efeito na economia é muito maior e mais prolongado”, afirmou na live do Coffee & Stocks de quinta-feira (26).

O governo dos EUA aprovou um pacote de US$ 2 trilhões, que inclui auxílio a empresas e famílias. A Alemanha seguiu na mesma direção e aprovou um pacote de 750 bilhões de euros para estimular a economia. “Ou seja, os governos estão ativos em anunciar grandes pacotes fiscais”.

Ferreira ressaltou, contudo, que uma parte da alta da Bolsa nesta semana foi uma correção natural após o tombo dos últimos dias. Além disso, resta saber ao certo a dimensão dos esforços do governo brasileiro para conter a crise.

5. Procure ajuda nos livros

Engana-se quem pensa que os livros sobre o mercado financeiro são destinados apenas a analistas e gestores. A prova disso é o jogador Lucas Leiva, que indicou duas de suas obras favoritas sobre o assunto no Coffee & Stocks. São elas o “Faça fortuna com ações, antes que seja tarde”, de Decio Bazin, e “A lógica do cisne negro”, de Nassim Taleb.

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Os investimentos estão entre as paixões do volante da Lazio, que começou a aplicar, entre outros motivos, por saber que a carreira de jogador de futebol é relativamente curta. “Com o tempo, eu percebi que, para fazer as perguntas corretas para o meu assessor, eu tinha que entender sobre investimentos, então comecei a estudar”, disse.

Leiva contou que usa os ensinamentos adquiridos na literatura para escolher seus ativos, além de conseguir manter um olhar de longo prazo durante o furacão. Sobre sua carteira, ele revela que tem investimentos em todos os cantos do planeta.

“Tenho os fundos Moat Capital e Dahlia Total Return. Aqui fora tenho ações da Berkshire Hathaway e da Coca-Cola. Das brasileiras, tenho ações da Vale e, das italianas, tenho da Ferrari e da Technogym, que é uma empresa de equipamentos de academia”, acrescentou.

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