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A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) negou nesta quarta-feira (24), em depoimento à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, ter solicitado ao hacker Walter Delgatti a invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Presente por videoconferência, já que cumpre prisão na Itália enquanto aguarda extradição ao Brasil, a parlamentar afirmou que contratou Delgatti apenas para esclarecer dúvidas sobre a segurança das urnas eletrônicas.
“Meu interesse era compreender o sistema e reforçar a defesa pelo voto impresso”, declarou.

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Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de prisão por tentativa de invasão aos sistemas do CNJ. Embora a prisão tenha sido decretada em 4 de junho, ela deixou o Brasil antes da ordem judicial e acabou detida na Itália em 29 de julho.
Encontros e versões divergentes
A deputada confirmou ter encontrado Delgatti em 10 de setembro de 2022, em uma reunião que, segundo ela, foi pública e não planejada. O hacker relatou à Polícia Federal que Zambelli teria intermediado sua ida ao Palácio da Alvorada, onde se reuniu com o então presidente Jair Bolsonaro (PL) e com o ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto.
Zambelli reconheceu que discutiu com Delgatti a possibilidade de testar 600 urnas eletrônicas separadamente, por meio dos boletins de urna, mas rejeitou que isso configurasse tentativa de fraude. Disse ainda ter manifestado preocupação sobre possíveis vulnerabilidades ligadas à inteligência artificial no sistema eleitoral.
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Questões financeiras
Outro ponto de divergência é o pagamento a Delgatti. O hacker afirmou ter recebido R$ 40 mil da deputada.
A versão de Zambelli, contudo, é de que os valores não ultrapassaram R$ 3 mil, usados, segundo ela, para serviços relacionados à atualização de seu site profissional.
O depoimento integra o processo em andamento na CCJ, relatado pelo deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), que pode resultar na cassação do mandato da parlamentar.
O relator destacou que as explicações de Zambelli ainda precisarão ser confrontadas com provas já reunidas pela Polícia Federal.