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Um vídeo divulgado neste fim de semana acrescentou um novo elemento aos questionamentos sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
As imagens, publicadas originalmente por O Globo, mostram Moraes e a esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, desembarcando no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, em 22 de agosto de 2025. O casal havia viajado em um Legacy 650 de prefixo PP-NLR, aeronave operada por uma empresa que teve ligação com Vorcaro.

O registro ganha relevância porque o gabinete de Moraes havia negado anteriormente que o ministro tivesse viajado em aviões de Vorcaro. Documentos e mensagens analisados pela Polícia Federal já indicavam que Moraes e Viviane utilizaram aeronaves ligadas ao ex-banqueiro em diferentes ocasiões entre maio e outubro de 2025.
Após a divulgação do vídeo, o escritório Barci de Moraes confirmou que contratou serviços de táxi aéreo da Prime Aviation e que, em alguns voos, Viviane esteve acompanhada do marido. A banca sustenta que a escolha da aeronave cabia à empresa contratada e afirma que Vorcaro nunca esteve presente nesses deslocamentos. Também nega vínculo comercial, advocatício ou societário com a companhia aérea.

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Relação já era investigada
O episódio do avião se soma a uma série de informações extraídas do celular de Vorcaro e analisadas pela PF. Um dos principais pontos é o contrato firmado em janeiro de 2024 entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci.
O acordo previa R$ 131 milhões em honorários ao longo de três anos. Cerca de R$ 80 milhões foram pagos antes da liquidação da instituição financeira, segundo documentos revelados pelas investigações e pela imprensa.
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Em maio de 2025, houve ainda tratativas para uma nova contratação, estimada em R$ 50 milhões, que não chegou a ser concretizada. Documentos apontavam a possibilidade de pagamento envolvendo cotas de aeronaves.
Moraes afirma que nunca julgou causas relacionadas a Vorcaro ou ao Banco Master e nega irregularidades na relação entre o empresário e o escritório de sua esposa.
As mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro também registram contatos atribuídos ao ministro em momentos próximos à primeira prisão de Vorcaro.
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Dois dias antes de ser detido, em novembro de 2025, o banqueiro enviou mensagem a um contato atribuído a Moraes perguntando sobre a necessidade de deixar o país. No dia da prisão, voltou a procurar o interlocutor e perguntou sobre novidades e sobre uma tentativa de bloqueio. Moraes negou a comunicação e classificou as informações como falsas.
Vorcaro acabou preso no Aeroporto de Guarulhos quando se preparava para viajar a Malta.
Vídeo reforça discussão sobre os voos
As viagens em aeronaves ligadas ao ex-banqueiro já haviam aparecido em documentos e mensagens, mas o novo registro fornece uma confirmação visual de pelo menos um desses deslocamentos.
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Conversas obtidas pela investigação também indicam que Vorcaro tinha conhecimento da utilização de aeronaves pela família de Moraes. Em uma troca de mensagens ocorrida na véspera do voo registrado em vídeo, o banqueiro pediu que o atendimento a “Barci” fosse mantido mesmo diante de outra demanda pelo avião.
A explicação apresentada pelo escritório de Viviane é que a contratação era feita como um serviço regular de táxi aéreo, sem participação de Vorcaro na escolha dos voos ou presença dele nas aeronaves.
STF não decidiu se Moraes será investigado
As novas revelações aparecem enquanto o próprio Supremo ainda não definiu o destino da apuração envolvendo Moraes. Na sessão extraordinária de 15 de setembro, os ministros começaram a discutir questões processuais relacionadas ao relatório da Polícia Federal, mas não chegaram ao mérito sobre uma eventual investigação do magistrado.
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Flávio Dino pediu vista quando o plenário discutia se o caso de Moraes deveria tramitar em conjunto com questionamentos sobre a atuação de André Mendonça, responsável por requisitar informações da PF sobre as mensagens. O pedido interrompeu o julgamento.
A sessão foi marcada por confrontos entre integrantes da Corte. Moraes acusou Mendonça de atuar com motivação política na condução do episódio. Mendonça rejeitou a acusação. Gilmar Mendes também fez críticas à atuação do colega.
Depois do pedido de vista, o presidente do STF, Edson Fachin, adiou ainda a sessão de 23 de setembro que analisaria a conduta de Mendonça na investigação. Segundo o tribunal, a discussão processual iniciada no caso Moraes precisa ser resolvida antes.
Com isso, permanece sem definição tanto a possibilidade de uma investigação formal sobre Moraes quanto a discussão sobre a atuação de Mendonça.
Enquanto o impasse continua no Supremo, o vídeo divulgado agora adiciona um elemento objetivo a uma parte da controvérsia. A discussão passa a incluir as circunstâncias da contratação do voo, o grau de conhecimento do ex-banqueiro sobre essas viagens e a compatibilidade das novas informações com as explicações apresentadas anteriormente pelo ministro e pelo escritório de sua esposa.