Vice-líder do governo Lula é apontado pela PF como peça-chave em esquema do INSS

Relatório enviado ao STF afirma que senador articulava demandas, indicava beneficiários e acompanhava pagamentos

Marina Verenicz

Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) realiza reunião para sabatinar indicados ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), Defensoria Pública da União (DPU), e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em pronunciamento, à bancada, relator da MSF 7/2026, senador Weverton (PDT-MA). Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) realiza reunião para sabatinar indicados ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), Defensoria Pública da União (DPU), e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em pronunciamento, à bancada, relator da MSF 7/2026, senador Weverton (PDT-MA). Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

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A Polícia Federal apontou que o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula no Senado, seria um dos principais articuladores do esquema investigado pela Operação Sem Desconto.

Em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), os investigadores atribuem ao parlamentar o exercício de um papel ativo na condução de decisões relacionadas ao grupo investigado.

A avaliação embasou a nova fase da operação, deflagrada nesta terça-feira (4), que cumpre 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão. Entre os alvos estão parentes de Weverton e o advogado Willer Tomaz. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF.

Segundo a Polícia Federal, o senador era responsável por “formular demandas, indicar beneficiários, cobrar pagamentos, acompanhar repasses, tratar de imóveis, orientar providências e interferir em decisões patrimoniais” ligadas ao esquema.

Embora Weverton não seja alvo de mandado de busca nesta etapa, o relatório amplia a participação atribuída ao parlamentar nas investigações sobre as fraudes que atingiram aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Operador da estrutura

Entre os principais alvos da operação está o advogado Willer Tomaz, descrito pela PF como uma peça de sustentação da organização investigada.

De acordo com os investigadores, ele mantinha ligação com empresas, imóveis, aeronaves, pilotos, funcionários, operadores financeiros e interlocutores políticos, desempenhando um papel relevante na administração da estrutura patrimonial utilizada pelo grupo.

A Polícia Federal afirma que a investigação identificou indícios de movimentações financeiras e patrimoniais realizadas por meio de pessoas físicas e jurídicas, contas de terceiros, empresas e operações em dinheiro vivo, em uma tentativa de ocultar a origem e o destino dos recursos.

A Operação Sem Desconto foi deflagrada pela Polícia Federal em abril de 2025 para investigar um esquema de descontos associativos aplicados sem autorização sobre aposentadorias e pensões pagas pelo INSS.

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As investigações apontam que entidades cobravam mensalidades de beneficiários sem consentimento, utilizando associações que, em muitos casos, não prestavam os serviços prometidos.

Nas últimas semanas, a operação também deu origem a uma série de investigações paralelas autorizadas pelo STF. Os elementos reunidos pela PF resultaram na abertura de três inquéritos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para apurar suspeitas de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e suposta atuação em favor de empresários junto a órgãos do governo federal. A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade.

Agora, o novo relatório da Polícia Federal amplia o foco da investigação ao atribuir a Weverton Rocha um papel de coordenação política e patrimonial dentro do esquema investigado. As apurações seguem sob supervisão do STF e ainda estão na fase de coleta de provas.

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