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O presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, Nelson Matias, criticou o projeto de lei aprovado na Câmara Municipal paulistana que proíbe a presença de crianças e adolescentes e determina que o evento seja realizado apenas em áreas fechadas.
“Hoje, mais do que nunca, precisamos lembrar: não existe orgulho sem democracia. Se o golpe tivesse dado certo, a gente não estaria aqui. Não existe democracia verdadeira sem participação popular, nem sem a população LGBT”, afirmou Matias em coletiva de imprensa na terça-feira (26).
Para o presidente da Parada, o evento vai além da celebração e mantém a essência como “ato de resistência, espaço para a defesa da democracia e dos direitos humanos”.
O texto em discussão, de autoria do vereador Rubinho Nunes (União Brasil-SP), foi aprovado em votação simbólica, com 45 votos favoráveis e 10 contrários, mas ainda precisa ser votado em dois turnos no plenário antes de seguir para sanção ou veto do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
A proposta prevê a restrição da presença de menores, mesmo acompanhados de responsáveis, e exige que as próximas edições da Parada — que há 29 anos percorre a Avenida Paulista — sejam realizadas em locais fechados, com controle de acesso. Em caso de descumprimento, o projeto estabelece multas cumulativas que podem chegar a até R$ 1 milhão.
A Parada, que neste ano completa 30 anos, está marcada para 7 de junho, na Avenida Paulista, a partir das 10h, com tema voltado às eleições e o mote “A rua convoca, a urna confirma”.
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Em nota divulgada na sexta-feira (22), a ParadaSP, organização responsável pelo evento, afirmou que a proposta de Rubinho Nunes é “visivelmente inconstitucional, LGBTfóbica e levanta preocupações em relação a direitos constitucionais ligados à livre manifestação, à convivência familiar e à ocupação democrática do espaço público”. A entidade diz que, apesar do projeto, a Parada seguirá nas ruas, “ocupando esse espaço como território de cidadania, diversidade e liberdade”.
Parada enfrenta dificuldade para sair às ruas
Apesar de ser considerada a maior Parada LGBT+ do mundo, a 30ª edição enfrenta queda no número de patrocinadores. A estimativa é de que o impacto econômico fique em até R$ 466,2 milhões neste ano, cerca de 15% menos que em 2025.
No ano passado, o evento reuniu cerca de 4 milhões de pessoas, incluindo turistas de vários países, e movimentou mais de R$ 548 milhões na economia paulistana, segundo a prefeitura.
A restrição de recursos também se reflete na estrutura de rua: em 2026, apenas 14 trios elétricos devem desfilar, três a menos que na edição anterior. Segundo a ParadaSP, artistas têm se mobilizado a favor do evento e muitos abriram mão do cachê para se apresentar. Entre as atrações já confirmadas estão Pepita, Gloria Groove, Jup do Bairro, MC Dornelles, Isma, Katy da Voz e as Abusadas, Melody e o ator Diego Martins.
