Uczai pede à PF inquérito sobre produtora de Dark Horse por desvio de recursos

Líder do PT embasou solicitação em reportagem publicada pelo The Intercept, que aponta produtora como entidade de fachada para desviar recursos

Estadão Conteúdo

Líder do Partido dos Trabalhadores, Deputado Pedro Uczai. Foto: Luiz Macedo / Câmara dos Deputados
Líder do Partido dos Trabalhadores, Deputado Pedro Uczai. Foto: Luiz Macedo / Câmara dos Deputados

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O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), apresentou à Polícia Federal um pedido de instauração de inquérito policial contra Karina Ferreira da Gama, sócia-administradora da empresa Go Up Entertainment, envolvida na produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O petista pede a investigação sobre “possível esquema interestadual de desvio de recursos públicos e parafiscais de interesse federal, superfaturamento, falsidade documental, utilização de empresas de fachada, lavagem de dinheiro e associação criminosa envolvendo o Instituto Conhecer Brasil (ICB)”, pessoa jurídica presidida por Gama.

O líder do PT menciona reportagem do site The Intercept Brasil da segunda-feira, 8, que diz que o ICB teria atuado como entidade de fachada para drenar recursos do Sistema S, segundo auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU).

O portal diz que, entre 2017 e 2018, o Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria (CN-Sesi) repassou cerca de R$ 11 milhões para a organização, para realizar a Feira da Cidadania em sete estados brasileiros, além da Fórmula Truck Kids, no Distrito Federal, e que ao menos R$ 2,4 milhões foram superfaturados. A reportagem do Intercept disse não ter sido respondida por Gama.

O Estadão também mostrou em 1º de junho que a organização não governamental (ONG) da produtora está sendo cobrada pela Justiça para devolver R$ 1,3 milhão de um patrocínio executado irregularmente em 2017, em ação movida pelo CN-Sesi. O ICB também não comentou o caso.

“Os fatos narrados podem se amoldar, em tese, a crimes contra o patrimônio público ou parafiscal, especialmente se confirmada a obtenção de vantagem ilícita mediante fraude, superfaturamento, notas falsas, entregas fictícias e prestação de contas simulada”, diz a peça apresentada por Uczai.

“Também deve ser investigada a possível prática de peculato-desvio ou apropriação de recursos públicos por particulares em concurso com agentes responsáveis pela liberação, fiscalização ou aprovação dos repasses”, acrescenta. A notícia de fato aponta ainda necessidade de apurar cometimento de falsidade ideológica.