Retaliação

Temer pune “traidores” da base para esfriar rebelião do centrão, de olho em nova denúncia de Janot

Alvo das principais críticas de membros do "centrão", o PSDB, porém, não tem sido afetado pelas medidas

SÃO PAULO – Em meio ao clima de tensão entre membros do “centrão” e parlamentares da base aliada que se posicionaram contra o governo na primeira denúncia apresentada pelo procurador-geral Rodrigo Janot contra Michel Temer por corrupção passiva, o peemedebista intensificou a punição aos “traidores”. Conforme noticia o jornal Folha de S. Paulo, o número de demissões de aliados desses deputados deve chegar a 140.

Os cargos deverão ser redistribuídos aos parlamentares fiéis, que ajudaram a derrubar a peça no início do mês. Novas indicações já foram feitas e estão em análise pela Casa Civil. A maior parte das exonerações ocorre em cargos regionais, em órgãos como Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), Funasa (Fundação Nacional de Saúde) e ANM (Agência Nacional de Mineração).

Conta a reportagem que o peemedebista hesitava em fazer esse movimento, mas decidiu promover as mudanças para tentar reduzir o incômodo entre membros da base que votaram em sua defesa. O governo vinha sendo ameaçado de sofrer derrotas em votações importantes, como o Refis e a própria questão da reforma da Previdência.

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A decisão de Temer ocorre também em meio às expectativas por uma nova denúncia contra ele apresentada por Janot. Trata-se de uma medida a reduzir os riscos do que poderá ser apresentado pelo procurador-geral. A ideia é afinar a base antes de uma nova flechada. As preocupações com o que deverá vir são menores do que o clima gerado na denúncia anterior, tendo em vista a percepção de que o peemedebista conta com o apoio necessário para dissipar o novo fantasma. No entanto, quanto mais consistente, mais trabalho terá o combalido presidente, que já não poderá oferecer tantos benefícios aos deputados como fez antes.

As demissões visam reduzir o nível de tensão na base aliada e as possibilidades de uma rebelião. O foco das ações do governo, no entanto, se deu em infiéis em partidos como Solidariedade, Democratas e PSB. Alvo das principais críticas de membros do “centrão”, o PSDB não tem sido afetado pelas medidas. Apesar de metade da bancada tucana ter votado contra Temer o presidente, preocupado com a viabilidade da agenda de reformas, tenta evitar uma punição em massa.