Carta de estratégia

Temer está há apenas dois meses no poder efetivamente, mas parece muito mais tempo, diz Rio Bravo

Reformas estão avançando e até mesmo a trabalhista voltou a ser cogitada, em um ambiente mais leve, aponta a gestora

SÃO PAULO – A recuperação da atividade econômica parece distante mas, com a atmosfera mais leve e ambiente mais propício para reformas, há indicações de progresso através das sinalizações do governo, segundo aponta a gestora Rio Bravo Investimentos em carta de estratégia referente ao mês de outubro. “Os sinais vão se multiplicando e são apenas dois meses de uma presidência que parece muito mais velha”, afirmam os gestores, em referência ao período desde setembro em que Michel Temer está como efetivo.

A Rio Bravo destaca que o grande personagem do mês de outubro foi a PEC do teto de gastos, tanto em razão de seu trâmite político “surpreendentemente suave quanto pelos avanços conceituais na opinião pública”.

“A emenda foi votada e aprovada em seu segundo turno na Câmara com maioria folgada e serviu como uma importante demonstração de força política do governo, e também de que as energias políticas estão sendo bem alocadas em providências econômicas de grande impacto”, apontam os gestores. Eles lembram ainda da decisão do Copom de realizar um modesto corte de 0,25 ponto percentual nos juros, o que trouxe queixas sobre o seu conservadorismo. “O Copom alertou para os riscos de uma tramitação lenta das reformas essenciais para o equilíbrio fiscal, e parece ciente que há muita ociosidade da economia, e que a recessão segue forte”.

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Já no plano político, suspense em torno de novas revelações vindas de Curitiba. Além disso, a prisão de Eduardo Cunha acrescenta algo mais à sensação de imprevisibilidade do quadro político. 

Soma-se a isso a mesma sensação de cautela que é percebida diante dos resultados das eleições municipais no segundo turno, “que reafirmaram a destruição do PT com muito mais peso do que o crescimento do PSDB”.

Contudo, a Rio Bravo aponta que nem este partido nem outros atores à esquerda ocupou os espaços do PT. “Os partidos hostis ao governo não tiveram qualquer expansão relevante. Já o PMDB e os demais partidos de mesmo perfil, como o PSD, foram discretos vencedores, respeitadas algumas situações regionais difíceis, como a do Rio de Janeiro”, avalia a gestora.

Os gestores ainda destacam que as vitórias de partidos pequenos, sobretudo os que cavalgam a tese de uma “nova política”, ganharam uma leitura curiosa e interessante: “como o quadro financeiro da maior parte das prefeituras é de crise, o eleitorado rejeitou promessas mirabolantes em discursos tradicionais e preferiu novas abordagens”.

Para a Rio Bravo, “sabiamente, o governo se manteve afastado dessa arena, onde se saiu vencedor”. Os gestores ainda apontam que os ânimos políticos continuam exaltados, “de tal sorte que menos é mais”, apontando ser corretíssima a ênfase no trabalho parlamentar, onde o governo tem sido imensamente bem-sucedido até o momento. Além disso, a gestora aponta que o governo vem se mantendo longe de movimentos “basistas”, como o das ocupações de escolas. “Nada melhor para o governo que deixar isolados os movimentos radicais pregando no deserto, insistindo em mobilizações custosas e que confrontam a população”, afirmam os gestores. 

Eles apontam que a maior de todas as novidades é o progresso conceitual da ideia de “teto” e de que a situação fiscal no pais é dramática e merecedora de posturas reformistas ousadas. Além disso, já se fala mais abertamente na reforma da previdência, onde os embates serão mais difíceis, a depender do que o governo entender como a “reforma possível”. “Mesmo a reforma trabalhista voltou às cogitações, e a atmosfera parece mais leve. Os sinais vão se multiplicando e são apenas dois meses de uma presidência que parece muito mais velha”, conclui a Rio Bravo.