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Para tentar conter os impactos da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, o governo Lula intensificou as negociações com o governo de Trump desde junho, em um processo em que o Brasil ofereceu abertura de mercados importantes para a economia americana, mas se recusou a fazer concessões em temas como o Pix e etanol.
A proposta da nova tarifa foi feita em 1º de junho e confirmada na noite desta quarta-feira pelo governo Trump. Desde então, ao lado de representantes do setor produtivo, o governo brasileiro passou a tentar ampliar a lista de exceções da possível nova tarifa.
No entanto, as negociações com o governo americano acontecem desde o ano passado, após a confirmação da primeira tarifa, em agosto. Desde março de 2025 foram realizadas mais de 30 reuniões entre autoridades dos dois países, segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

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Um dos encontros foi entre Lula e Trump, em outubro do ano passado, na Malásia, onde os dois conversaram pessoalmente pela primeira vez desde o anúncio da sobretaxa. Semanas depois, em meio a um aumento da inflação local, Trump retirou tarifas de 10% sobre produtos brasileiros como carne bovina, tomate, café e banana.
Em novembro, o presidente americano retirou outra sobretaxa de 40% sobre produtos agrícolas brasileiros, como café e carne.
Em meio às negociações, também surgiu a demanda por interlocutores do governo americano por maior espaço no setor de minerais críticos brasileiro. A Câmara dos Deputados chegou a aprovar uma proposta que cria regras e busca incentivar a indústria nacional na exploração desses recursos.
Desde o anúncio da nova rodada do tarifaço em 1º de junho, no entanto, o governo brasileiro passou a definir pontos criticados pelos americanos que eram considerados inegociáveis.
Em nota, o Palácio do Planalto disse que o Brasil propôs tratar conjuntamente os mercados de etanol e açúcar. Neste último caso, as tarifas dos EUA, acima da cota de 150 mil toneladas, alcançam cerca de 100%. Mas os EUA nunca responderam a essa proposta, afirmou.
A investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) da seção 301 elenca uma série de práticas que levariam a uma concorrência desleal. O relatório final do USTR distribui críticas ao Brasil em seis áreas principais: comércio digital, serviços de pagamento, acordos tarifários, desmatamento, etanol, propriedade intelectual e combate à corrupção.
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Segundo relatório do USTR , o Banco Central do Brasil favorece o Pix em detrimento de empresas de serviços de pagamento americanas, como operadoras de cartão de crédito, por meio da limitação das tarifas.
Desde que o tema veio à público, a defesa do uso do Pix virou uma das grandes bandeiras do presidente Lula e seus auxiliares, sob o mote de defesa da soberania nacional
Outro ponto de atrito é o mercado de etanol. O USTR ressalta que os Estados Unidos enfrentam tarifas mais altas sobre o etanol impostas pelo Brasil num comércio que classifica como “desequilibrado”, resultante da decisão do Brasil de abandonar, em 2017, uma política de reciprocidade tarifária que “promovia o desenvolvimento de ambas as indústrias e um comércio próspero e mutuamente benéfico”.
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Após ter reunião no começo deste mês com o chefe do USTR, Jamieson Greer, o ministro da Indústria, Desenvolvimento e Comércio (Mdic), Márcio Elias Rosa afirmou que o etanol nunca este na mesa de negociações, por determinação do próprio presidente Lula, que vê o Brasil prejudicado com o açúcar brasileiro sobretaxado pelos americanos.