Tarcísio cobra “projeto de país” e questiona agenda do PT

Em evento com empresários, governador criticou falta de debate estrutural e disse que eleição ocorre sem clareza de propostas

Marina Verenicz

31 de março de 2026 - O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) no encontro de empresários do grupo Mercado e Opinião. Foto: Marcos Hiroshi
31 de março de 2026 - O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) no encontro de empresários do grupo Mercado e Opinião. Foto: Marcos Hiroshi

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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), usou o encontro de empresários do grupo Mercado e Opinião, nesta terça-feira (31), para colocar em dúvida a qualidade do debate eleitoral no país e questionar diretamente a ausência de propostas estruturais na disputa presidencial. Em tom crítico, afirmou que a eleição se aproxima sem clareza sobre caminhos para o Brasil.

“A gente está indo para uma eleição presidencial. Quais são as ideias que estão na mesa? Alguém sabe?”, disse.

Segundo o governador, questões como produtividade e desigualdade deixaram de ocupar o centro da agenda, substituídas por discussões de curto prazo e pautas com apelo eleitoral.

“Qual é o projeto? O que tem de novo?”, questionou ao mencionar propostas apresentadas por adversários, em crítica indireta ao governo federal.

A crítica vem acompanhada de uma leitura sobre o funcionamento do ciclo eleitoral. Para Tarcísio, anos de eleição tendem a deslocar o debate para o populismo, reduzindo o espaço para discussões mais complexas. Ele cita como exemplo o tratamento dado a temas ligados ao mercado de trabalho.

“Quando entra em ano eleitoral, o tema é capturado pelo populismo, que não deveria haver num tema tão sério”, afirmou.

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Ao comentar propostas como a redução da jornada de trabalho, o governador argumentou que mudanças desse tipo exigem medidas compensatórias para evitar impactos negativos sobre emprego e renda.

“Para eu cuidar do trabalhador, eu tenho que cuidar do empresário. Se eu não cuidar do empresário, eu não cuidarei”, disse.

Ao longo da fala, Tarcísio insistiu que o país conhece os caminhos que deram certo no passado, mas não consegue replicá-los no presente, o que atribuiu a falhas de liderança e coordenação política.

“O Brasil não é um país onde tudo dá errado […] A gente sabe exatamente qual é o caminho”, afirmou, ao citar exemplos como agronegócio e indústria aeronáutica.

Ele também associou a dificuldade de avançar em reformas à fragmentação do debate público. Segundo o governador, a dinâmica atual, marcada por redes sociais e polarização, tem reduzido a capacidade de formular consensos.

“A política virou uma política de redes sociais […] A gente tem uma liderança que perde tempo com uma polarização extremada e inútil”, disse.

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Tarcísio afirmou que o país vive uma desorganização política que compromete a definição de prioridades e amplia a judicialização de decisões.

“Houve um tempo em que os partidos organizavam a política. Hoje, ninguém organiza”, afirmou.

Nesse contexto, ele defendeu que a revisão do sistema político deve preceder outras mudanças. A proposta inclui a rediscussão de mecanismos como a reeleição e o financiamento de campanhas.

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“A mãe de todas as reformas é a reforma política […] Faz sentido ainda a reeleição?”, questionou.