STF pode “atropelar” decisões do TSE durante eleição, diz advogado

Gustavo Bonini Guedes avalia que Supremo pode rever entendimentos da Justiça Eleitoral em temas considerados relevantes pelos ministros

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O Supremo Tribunal Federal poderá execer um papel decisivo na arbitragem de conflitos eleitorais em 2026 e, em alguns casos, rever decisões tomadas pelo próprio Tribunal Superior Eleitoral. A avaliação foi feita pelo advogado especialista em direito eleitoral Gustavo Bonini Guedes, durante o programa Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney.

Segundo o advogado, a relação entre as duas Cortes será um dos pontos de atenção das campanhas, especialmente em temas que possam extrapolar a esfera estritamente eleitoral, permeando o âmbito político até chegar ao Supremo Tribunal Federal.

“Há uma dúvida muito grande de como o Supremo vai se comportar em relação ao TSE. E eu tendo a te dizer que, a depender do que for decidido pelo TSE, o pudor que o Supremo tinha em respeitar a decisão do TSE não será respeitado”, afirmou.

Na avaliação de Bonini, o risco de sobreposição da competência dos dois órgãos máximos da Justiça aumentou nos últimos meses, após a transposição de temas exclusivos da esfera eleitoral para o Supremo.

Como exemplo, o especialista citou o caso do ex-governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, que causou uma sobreposição de análises pelas Cortes. O Superior Tribunal Eleitoral entendeu que a renúncia de Castro tinha como objetivo escapar de uma cassação e da consequente inelegibilidade. Mesmo com a decisão final da Corte Eleitoral, o caso foi levado ao STF.

“Se for algo que contrarie a orientação majoritária dos ministros do Supremo, o Supremo vai decidir além ou diversamente daquilo que o TSE decidiu”, disse Guedes.

O especialista foi ainda mais direto ao projetar o que pode ocorrer durante a campanha.

“Eu não tenho dúvida, para responder objetivamente, que o Supremo vai atropelar o TSE se for uma decisão favorável a algum tema que o Supremo não queira”, afirmou.

A situação ganha relevância considerando a composição do TSE. Segundo as regras do tribunal, três cadeiras são reservadas a ministros do Supremo. Ainda assim, as decisões tomadas pela Justiça Eleitoral podem acabar sendo submetidas posteriormente ao Supremo por outras vias jurídicas.

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O tema também aparece em outras frentes da eleição. Casos envolvendo inteligência artificial, propaganda eleitoral, investigações de grande repercussão e a própria situação jurídica de candidatos podem passar pelo TSE e, posteriormente, chegar ao STF.

Paulo Gama, head de análise política da XP, avalia que esse movimento também deve ser incorporado à narrativa das campanhas. Dependendo do teor das discussões, candidatos podem explorar politicamente a origem das indicações e perseguição.

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“Imagino que, se houver algum tipo de decisão, o PT provavelmente vai pesar a mão na questão das indicações, da paternidade das indicações, como um argumento retórico para se dizer perseguido da mesma maneira como a campanha do Bolsonaro fez no passado”, afirmou.

Na avaliação de Guedes, a eleição de 2026 tende, portanto, a reforçar um fenômeno que já vinha se consolidando nos últimos anos de que o Supremo deixou de ser apenas um árbitro constitucional distante da disputa política e passou ocupar posição central em conflitos que podem produzir efeitos direitos sobre campanhas e candidatos.

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Marina Verenicz
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