STF barra loterias municipais e suspende leis municipais que autorizam bets

Decisão de Kassio Nunes Marques derruba normas locais, congela licitações e impõe multas pesadas a prefeituras e empresas do setor

Marina Verenicz

O ministro Nunes Marques durante sessão da 2ª turma do STF (Foto: Nelson Jr./SCO/STF)
O ministro Nunes Marques durante sessão da 2ª turma do STF (Foto: Nelson Jr./SCO/STF)

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O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu nesta quarta-feira (3) todas as leis editadas por municípios que autorizavam o funcionamento de loterias próprias e apostas esportivas online.

A determinação também atinge processos de licitação e contratos em curso, interrompendo imediatamente a expansão local das chamadas bets.

A medida foi tomada após o STF identificar uma movimentação acelerada de prefeituras criando regras próprias para operar loterias e explorar apostas esportivas. Segundo o processo, só neste ano 55 municípios, espalhados em 17 estados, aprovaram legislações semelhantes.

Para Kassio, esse cenário produz insegurança jurídica e ameaça o equilíbrio do pacto federativo ao “pulverizar” modelos regulatórios.

A decisão estabelece sanções severas em caso de descumprimento. Cidades e empresas que mantiverem o serviço ativo poderão ser multadas em R$ 500 mil por dia. Prefeitos e dirigentes envolvidos na continuidade das operações ficam sujeitos a multa diária de R$ 50 mil.

O ministro também determinou que órgãos federais ajam de forma coordenada para garantir o cumprimento da suspensão. Foram intimados a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, a Anatel e a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que deverão adotar providências regulatórias e operacionais necessárias.

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Segundo Kassio, a proliferação de normas municipais vinha permitindo flexibilizações na tentativa de atrair empresas e arrecadar recursos, mas comprometia padrões nacionais de proteção ao consumidor, publicidade e segurança dos usuários.

A decisão deverá ser referendada pelo plenário do STF em julgamento virtual ainda neste mês.