S&P rebaixa BRB pela segunda vez em 3 meses e cita incertezas sobre capitalização

Agência vê aumento dos riscos para o banco após crise envolvendo o Master e classifica instituição em faixa associada à vulnerabilidade de pagamento

Marina Verenicz

Sede do BRB em Brasília
01/04/2025
REUTERS/Adriano Machado
Sede do BRB em Brasília 01/04/2025 REUTERS/Adriano Machado

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O Banco de Brasília (BRB) sofreu um novo rebaixamento de classificação de risco pela S&P Global. A agência reduziu a nota da instituição de brB- para brCCC+/brC, aprofundando a deterioração da avaliação de crédito do banco em meio aos efeitos da crise desencadeada pelo colapso do Banco Master.

É o segundo corte promovido pela agência em menos de três meses. Em comunicado ao mercado, a S&P afirmou que a decisão reflete a “crescente incerteza” em torno da instituição e os riscos relacionados à execução de seu plano de recomposição de capital.

A classificação coloca o BRB em uma faixa considerada altamente especulativa. Segundo a metodologia da própria agência, emissores avaliados em “brCCC” apresentam vulnerabilidade elevada e dependem de condições econômicas e financeiras favoráveis para conseguir honrar seus compromissos.

Pressão sobre o patrimônio

O rebaixamento ocorre após uma sequência de eventos que fragilizaram a posição financeira do banco controlado pelo Governo do Distrito Federal. Nos últimos anos, o BRB ampliou sua exposição ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. Entre as operações realizadas esteve uma tentativa de aquisição do Master que acabou barrada pelo Banco Central.

A situação se agravou após a deflagração da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025. A investigação resultou na prisão e no afastamento de executivos ligados às duas instituições.

Enquanto o Banco Central decretou a liquidação do Master e de outras empresas do conglomerado, o BRB passou a buscar alternativas para fortalecer sua estrutura de capital.

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O banco também enfrentou atrasos na divulgação de demonstrações financeiras e iniciou negociações para captar recursos no mercado.

Na avaliação da S&P, a capacidade de execução dessas medidas será determinante para a estabilização da instituição nos próximos meses.

Em abril, a Moody’s também reduziu a nota de crédito do BRB. Na ocasião, a agência apontou deterioração do perfil financeiro da instituição e mencionou aumento do risco de inadimplência.