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SÃO PAULO – Quatro dias após protestos que reuniram milhares de manifestantes críticos ao atual governo nas ruas de diversas cidades do país, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão.
No discurso, acompanhado por panelaços em capitais, Bolsonaro lamentou “cada vida perdida em nosso país”, disse que o governo entregou 100 milhões de doses de vacinas a estados e municípios e voltou a afirmar que “o Brasil é o quarto país que mais vacina no planeta”.
O dado é impreciso, uma vez que trata apenas do número absoluto de doses aplicadas. Especialistas têm destacado a importância de monitorar o processo de vacinação em relação ao tamanho da população do país.
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De acordo com balanço do consórcio de veículos de imprensa, divulgado às 20h desta quarta-feira (2), o país aplicou 47.026.256 vacinas na primeira dose (o equivalente a 22,21% da população) e 22.631.020 na segunda dose (10,69%).
Dados da plataforma Our World in Data mostram que, em proporção à população, o Brasil é apenas o 61º país que mais vacina seus cidadãos.
Somente com percentuais elevados para as duas doses seria possível perceber, em termos globais, o impacto do programa de imunização sobre a dinâmica da pandemia de Covid-19.
“Neste ano, todos os brasileiros que assim o desejarem serão vacinados”, prometeu o presidente no pronunciamento que durou pouco menos de 5 minutos.
Mais cedo, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) ‒ adversário político de Bolsonaro ‒ afirmou que a vacinação contra a Covid-19 de todas as pessoas com mais de 18 anos no estado deve ser concluída até o final de outubro de 2021 e apresentou um calendário estimado.
Panelaços ocorreram em diversas cidades do país, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre e Salvador.
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O pronunciamento de Bolsonaro ocorre em meio a desgaste do governo na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia do Senado Federal, que investiga ações e omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia e desvio de verbas federais enviadas a estados e municípios.
Em seu discurso, o presidente voltou a criticar medidas restritivas adotadas por governadores e prefeitos para frear a disseminação do novo coronavírus.
“O nosso governo não obrigou ninguém a ficar em casa, não fechou o comércio, não fechou igrejas ou escolas, e não tirou o sustento de milhões de trabalhadores informais”, afirmou.
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“O nosso governo joga dentro das quatro linhas da Constituição. Considera o direito de ir e vir, o direito ao trabalho e o livre exercício de cultos religiosos inegociáveis. Todos os nossos 22 ministros consideram o bem maior de nosso povo a sua liberdade”, disse.
A restrição da circulação da população é uma das medidas recomendadas por autoridades sanitárias no mundo inteiro para a contenção da pandemia ‒ o que reduziria o número de óbitos provocados pela doença.
O Brasil chegou hoje à marca de 467.702 vidas perdidas desde o início da crise sanitária, em decorrência da Covid-19. Somente nas últimas 24h, foram 2.390 mortes, e 92.115 novos casos ‒ o maior número desde 25 de março.
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No pronunciamento, Bolsonaro exaltou recursos destinados pelo governo federal a medidas como o auxílio emergencial, ações de socorro a setores específicos da economia e o Programa Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Pronampe).
O presidente também salientou a criação de empregos formais, as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) superiores a 4% e a renovação de máxima histórica do Ibovespa, que hoje fechou a 129.601 pontos.
Medidas econômicas aprovadas no Congresso Nacional foram outro assunto tratado pelo mandatário, que disse que “estamos avançando no difícil processo de privatizações”.
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“Com o Congresso Nacional, estamos avançando. Aprovamos a Nova Lei do Gás; o Marco Legal do Saneamento; a MP da Liberdade Econômica; o Banco Central independente; e o Novo Marco Fiscal”, afirmou.
O mandatário também salientou a realização de leilões de rodovias, portos e aeroportos, além da realização de obras de infraestrutura.
Em outro momento, Bolsonaro disse que o Brasil deverá sediar a Copa América neste ano. O torneio estava previsto para ocorrer na Colômbia, que cancelou em meio aos protestos. A Argentina também desistiu de sediar o evento, em meio ao avanço da pandemia.
“Seguindo o mesmo protocolo da Copa Libertadores e Eliminatórias da Copa do Mundo, aceitamos a realização, no Brasil, da Copa América”, afirmou.