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O ex-ministro Fernando Haddad, pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, atribuiu o empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas de intenção de voto à Presidência da República a uma “lavagem cerebral coletiva”. Segundo ele, há um “contraste grande” entre ambos, o que torna o atual cenário “inadmissível”. As declarações foram concedidas nesta sexta-feira em discurso na sede da Força Sindical, em São Paulo, em evento comemorativo ao Dia do Trabalhador.
— Nós estamos num ano que é inadmissível o que está se vendo nas pesquisas eleitorais. Inadmissível. O contraste é tão grande, tão grande, que só uma lavagem cerebral coletiva explica uma comparação impossível entre dois personagens (Lula e Flávio) da história do Brasil. Nós temos um desafio cívico para cumprir, que é na defesa das prerrogativas dos trabalhadores, da democracia conquistada pelos trabalhadores. Essa agenda de democracia é nossa – discursou o ex-ministro.

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Conforme a última pesquisa Genial/Quaest, divulgada em abril, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro possui 42% das intenções de voto em um eventual segundo turno ao Palácio do Planalto, enquanto Lula marca 40%. Foi a primeira vez que Flávio apareceu numericamente à frente do principal adversário. Devido à margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, no entanto, o cenário configura empate técnico.
‘Derrota no combate à corrupção’
Ainda nesta sexta-feira, no mesmo evento, Haddad também afirmou a jornalistas que as duas recentes derrotas da gestão Lula no Congresso foram “derrotas no combate à corrupção”. O ex-ministro se referiu à rejeição da indicação de Jorge Messias, Advogado-Geral da União, ao Supremo Tribunal Federal (STF), além da derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria por parte do Congresso.
— Eu sou da opinião que essa derrota, essa dita derrota no Congresso, foi uma derrota do combate à corrupção. Hoje eu mesmo estava vendo analistas políticos dizendo que, por trás dessa derrota, tinha uma pretensão de um grande acordo em torno da impunidade daqueles responsáveis por alguns escândalos recentes no Brasil — disse Haddad, em alusão às articulações em torno do escândalo do Banco Master na votação.
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Haddad também afirmou “lamentar” as recentes decisões do Congresso devido à “desfaçatez dos criminosos envolvidos”:
— Tudo o que as pessoas desse país desejam, os cidadãos comuns, é que as responsabilidades sejam todas elas apuradas até o fim. Então eu penso que essa suposta derrota da indicação do presidente para o Supremo, na verdade, é uma derrota de todos nós — completou.

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Também participaram as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), pré-candidatas ao Senado. A segunda já tem a vaga assegurada para a campanha. Ao contrário de outros anos, as centrais sindicais não fizeram grandes atos em conjunto, mas eventos menores em suas sedes.
Haddad foi questionado pelo GLOBO sobre a montagem da chapa em São Paulo, objeto de disputa interna entre Marina Silva e Márcio França, ambos postulantes à vaga que resta para concorrer ao Senado:
— Nós estamos com um bom problema, porque são quatro ex-ministros do presidente Lula aqui representados em São Paulo, cada um com uma visão de mundo convergente, mas com as suas especificidades que têm que ser consideradas pelo eleitor. Nós temos pessoas aqui, todo mundo aqui é ficha limpa, serviços prestados ao país, compromisso com ética na política, pessoas que têm anos e anos de vivência política — avaliou.