Sem água, energia e alimentos, Porto Alegre sofre com “debandada” em meio ao caos

Diante de um cenário dramático no qual faltam praticamente todos os itens básicos, especialmente água, moradores da cidade tem protagonizado uma verdadeira “debandada”, indo em direção ao litoral gaúcho

Fábio Matos

Porto Alegre sofre com a tragédia das chuvas no estado (Foto: Gustavo Mansur/ Palácio Piratini/Divulgação)
Porto Alegre sofre com a tragédia das chuvas no estado (Foto: Gustavo Mansur/ Palácio Piratini/Divulgação)

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Em meio ao desastre humanitário causado pela tragédia climática que vem castigando o Rio Grande do Sul nos últimos dias, a situação de calamidade pública e o caos absoluto tomaram conta de Porto Alegre, capital do estado.

Diante de um cenário dramático no qual faltam praticamente todos os itens básicos, especialmente água, moradores da cidade tem protagonizado uma verdadeira “debandada”, abandonando suas casas em direção ao litoral gaúcho. Além do desabastecimento, a capital também enfrenta falta de energia e de suprimentos e sofre com uma onda de violência e saques.

De acordo com dados divulgados pela Defesa Civil do estado, na manhã desta quarta-feira (8), 414 das 497 cidades do Rio Grande do Sul já foram afetadas, de alguma forma, pelos efeitos da maior enchente da história do estado. Isso representa 80% dos municípios gaúchos.

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Dessas mais de 400 cidades, 336 já decretaram calamidade pública. Cerca de 83% dos 10,8 milhões de habitantes do Rio Grande do Sul vivem nesses municípios.

Até a noite de terça-feira, 95 pessoas haviam morrido na tragédia que abalou o estado. Havia 48 mil desabrigados e 1,4 milhão de pessoas atingidas pelo desastre.

Com o sistema de distribuição de energia comprometido, mais de 450 mil imóveis estão sem luz em todo o estado. Cerca de 85% dos porto-alegrenses estão, neste momento, sem acesso a água, em função da paralisação de cinco estações de tratamento.

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Nível do Guaíba baixa 15 centímetros

O nível das águas do lago Guaíba, em Porto Alegre, registrou uma queda de 15 centímetros nas últimas 24 horas, de acordo com informações divulgadas no início da manhã pela prefeitura da capital gaúcha e pelo governo do estado.

Por volta das 6h15, uma medição realizada pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) apontou que as águas do Guaíba recuaram para 5,12 metros. Trata-se do menor patamar atingido pelo lago desde a tarde do último sábado (4).

Apesar da redução do nível das águas, o Guaíba ainda segue muito acima da chamada cota de inundação, de 3 metros. A maior parte da cidade de Porto Alegre permanece alagada.

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O maior nível já alcançado pelo Guaíba foi na manhã de domingo (5), quando as águas bateram 5,33 metros. Até então, o recorde histórico anterior era de 4,76 metros, registrado há mais de 70 anos, na enchente de 1941.

Segundo projeções do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o Guaíba deve demorar pelo menos mais 30 dias para voltar ao patamar abaixo dos 3 metros. Em 1941, foram 32 dias para que isso ocorresse.

Fábio Matos

Jornalista formado pela Cásper Líbero, é pós-graduado em marketing político e propaganda eleitoral pela USP. Trabalhou no site da ESPN, pelo qual foi à China para cobrir a Olimpíada de Pequim, em 2008. Teve passagens por Metrópoles, O Antagonista, iG e Terra, cobrindo política e economia. Como assessor de imprensa, atuou na Câmara dos Deputados e no Ministério da Cultura. É autor dos livros “Dias: a Vida do Maior Jogador do São Paulo nos Anos 1960” e “20 Jogos Eternos do São Paulo”